Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Ver Tarantino no cinema

Media_httpbrwebimg2ac_ijzsw

eu me sinto obrigado a ver Tarantino no cinema.

obrigado por um piá de 15 anos. sorte do menino que não tenho nenhum problema em assistir os filmes do Tarantino. eu gosto muito, mas ele já deixou de ser meu cineasta favorito há algum tempo.

assisti a todos que pude no cinema, ou seja, de Kill Bill - Volume 1, pra cá.

mas minha principal satisfação de ver Django Livre no cinema tem menos a ver com a direção, os diálogos e a fotografia, do que já teve. tem mais a ver comigo e com o menino adolescente.

Media_httpm5paperblog_tuyjn

(que todo mundo deve ter sacado que sou eu mesmo, porque sou meio ruim de guardar segredos. é o Lielson de agora fazendo o que Lielson de Francisco Beltrão, sem cinema e sem vídeo-cassete não podia fazer)

em outra circunstância, seria só uma vingança besta contra o mundo, um grito desgraçado perdido numa escada abaixo. mas como é de mim que eu falo, é de um eu ligado a um outro-eu por uma espichada de tempo, é um prêmio dado a tempo (e fora do tempo): eu levo aquele adolescente a ver o seu cineasta favorito no cinema, a encarar em uma grande tela alguém que o influencia e o influenciará.

Media_httpwwwboomtron_cnbqc

sem ter de torcer pra chegar na locadora de vídeo o VHS, e aí organizar uma noite de filmes e SuperNES com o amigo pra ver o filme, decorar diálogos, rever e comer pão com bife. é legal também, mas o que sobra dum lado, falta de outro.

cercado por desconhecidos, estou só no cinema. eu que sou dois (pelo menos dois), encarando as luzes de Tarantino. sorrio nervoso, meu estômago afunda em si mesmo e me sinto bem em ser essa audiência. obrigado, Taranta. bom filme pra todos nós.

Media_https3vidimg02p_yueyq

Posted via email from Lugar Certo

quarta-feira, setembro 26, 2012

Mais uma vez, na sala de cinema

Media_http4bpblogspot_iieyd

enquanto eu subia a escada rolante da estação consolação, eu praguejei contra a senhora, toda passeante, que não deixou a esquerda livre para os apressadinhos e atrasados. que não deixou a esquerda livre pra mim.

corri pelas calçadas augusta abaixo até chegar ao cinema, interrompi uma moça confusa, que queria comprar uns ingressos pra teatro e não sabia o que fazer, e peguei meu bilhete gratuito praquela sessão da mostra.

me apressei pela porta sem funcionário pra rasgar o ingresso, achei o meio da cortina preta, entrei, localizei a Van e me sentei.

entre dois ufas e goles d'água, desliguei o celular, e fui sugado imediatamente.

Media_httpmsalxvejasp_jdxfe

eu saí daquela sala de cinema na rua Augusta, eu estava em um mundo de granulados, luzes e cores envelhecidas.

por 45 minutos, eu vivi dentro de Vestígio.

a singela e delicada história sobre os últimos fios de vida de Uno Kawase, avó que criou Naomi, a diretora do filme.

não há muito o que falar que não pareça piegas, por isso a Naomi fez um filme – que é emocional no melhor sentido da palavra. as imagens e a construção do filme é tão certeira que a avó/mãe de da Naomi se transforma.

Uno Kawase se torna a mãe de todos nós, que todos sabemos (sem querer pensar muito nisso) que enterraremos um dia. eu nunca estarei preparado pra isso que sei que vai acontecer. pra ver que saber e entender nem sempre se entendem.

é o caminho da vida que nos tornemos órfãos.

a beleza e a sutiliza dessa ameaça tão forte, cria uma rede frágil, que enrola todo o expectador. e o expectador se vê em Uno. é certeza da vida que assim que nossos pais morrem, que sejamos os próximos.

a dicotomia dessa vidinha curta e sempre mal-aproveitada com o final certo assustam, apavoram e comovem.

se há filmes que fazem a experiência de cinema valer a pena, esse é um deles.

quando Naomi encerra o filme ("muito obrigada"), sou arremessado de volta na cadeira no meio de uma sala escura. Vanessa e eu nos pegamos pela mão e saímos dali.

eu sei que algo intenso aconteceu em mim, mas não sei se um dia serei capaz de entender.

Posted via email from Lugar Certo

quinta-feira, abril 28, 2011

Eu entrevistei Luiz Ruffato

Media_httpandreamacha_gssis

ARISTEU: Lielson, tava pensando em fazer uma daquelas entrevistas pro Moviola. teria como você me ajudar?

LIELSON: claro, cabra. do que tu precisa?

ARISTEU: então, precisava de um aporte de alguém da literatura pra entrevistar o Luiz Ruffato...

LIELSON:  o Ruffato? do Eles eram muitos cavalos?

ARISTEU: isso!

LIELSON: O Ruffato? claro, claro, no que eu puder ajudar.

Media_httpbenderbeerc_ijbbh

assim - ou quase assim - entrei nessa de entrevistar o Luiz Ruffato com o Aristeu pro site Moviola. e foi demais. é uma pena que ali embaixo só tem 20 minutos da fala do cara.

foi quase 2 horas de conversa, ou melhor, de lições e criação de vontades literárias.

vou tentar convencer o Ari a me passar o material "recusado".

Posted via email from Lugar Certo

quinta-feira, abril 14, 2011

Eu vi Booker Pittman

Media_httpwwwboomstud_ecuoe

veja você também o ótimo curta de Rodrigo Grota - dica do Aristeu.

e entenda melhor relação entre a poesia e o jazz que os beatniks cantavam lá nos anos 1960.

Posted via email from Lugar Certo

sexta-feira, abril 01, 2011

lendo Esculpir o tempo

Media_httpciiuolcombr_aqaab

leio atualmente,. o bom livro do cineasta russo Andrei Tarkovski. a tradução é meiaboca, mas vale a citação: 

"O material cinematográfico, porém, pode ser combinado de outra forma [em relação a sequência lógica e habitual dos filmes] , cuja característica principal é permitir que se exponha a lógica do pensamento de uma pessoa. A origem e o desenvolvimento do pensamento estão sujeitos a leis próprias e às vezes exigem formas de expressão muito diferentes dos padrões de especulação lógica. Na minha opinião, o raciocínio poético está mais próximo das leis através das quais se desenvolve o pensamento e, portanto, mais próximo da própria vida, do que a lógica da dramaturgia tradicional. E, no entanto, os métodos do drama tradicional são vistos como os únicos modelos possíveis, e são eles que, há muitos anos, determinam a forma de expressão do conflito dramático.

Através das assossiações poéticas, intensifica-se a emoção e torna-se o espectador mais ativo. Ele passa a participar do processo da descoberta da vida, sem apoiar-se em conclusões já prontas, fornecidas pelo enredo, ou nas inevitáveis indicações fornecidas pelo autor. Ele só tem a sua disposição aquilo que lhe permite penetrar no significado mais profundo dos complexos fenômenos representados diante dele."

ANDREI TARKOVSKI in "Esculpir o Tempo", p. 17. Editora Martins Fontes, 1998, tradução de Jefferson Luiz Camargo.

Troca 'cinematográfico' por 'literário' e 'espectador' por 'leitor' e tem uma aula de escrita.

Posted via email from Lugar Certo

quinta-feira, março 31, 2011

31 no 31

Media_httpwwwobsessed_zgejc

eu já passei muitas aniversários vendo filmes.

muitos filmes e muitos aniversários.

nada ritualístico, não.

só uma vontade de escapar via tela e de economizar dinheiro mesmo.

(não quero bancar Lula - o filho do Brasil, mas já troquei o dinheiro do lanche por livro em sebo, então, um dia em que podia assistir de graça vários filmes era mais que uma benção divina, era quase uma incumbência de Noé.)

as maratonas de celuloide envolviam uns três filmes. teve uma vez que eu achei 10 reais no chão, perto da fila do ingresso.

juntei com o dinheiro do ônibus e comprei um livro.

caminhei até em casa lendo o Desobediência civil, do Thoreau.

Media_httpfarm3static_tseij

mas não lembro quais filmes vi nesse dia. nem quais filmes vi em qualquer uma dessas gincanas da nona arte.

era de graça e era uma desculpa pra fugir de 31 de março.

hoje não fui no cinema. preferi parar de me... não.

em vez de me amortecer, decidi me arranhar.

(descobri que nasci justamente numa quinta-feira)

sentei pra escrever e dei play.

Posted via email from Lugar Certo

sexta-feira, março 11, 2011

Eu li o Contardo Calligaris

Media_httpwwwcbccagfx_itjch

a sempre elucidativa coluna do Calligaris de ontem vai abaixo.

interessantíssimo o modo de ver o Carnaval e a bela leitura de O cisne negro, filme queridinho da equipe desse blogue.

"Cisne Negro", o Carnaval e as mães


Se conseguimos viver plenamente, é graças a autores e intérpretes que nos revelam nosso lado B

"CISNE NEGRO" é a história, muito bem contada, do desabrochar de uma loucura. Mas amei o filme por outras razões. Aqui vão duas delas.

1) Revi "Cisne Negro" no domingo e, na volta do cinema, assisti ao Carnaval na TV.

Gosto da exuberância de alegorias e fantasias, e o que mais importa no Carnaval talvez seja a paixão das escolas ao preparar o desfile, mas resta que, na televisão, o espetáculo do carnaval e de seus bastidores consegue a façanha se ser, ao mesmo tempo, vulgar e careta. Como é possível?

É que, no espetáculo televisivo, a transgressão da folia consiste numa tremedeira de carnes (vagamente sugestiva de um exercício sexual), acompanhada de uma dose diurética de cerveja. Ou seja, o Carnaval na televisão é um programa infantil, pois é assim que as crianças imaginam a transgressão: vulgar como xixi-cocô e careta como suas suposições sobre o que acontece entre adultos na hora do sexo.

Só para confirmar: as crianças encaram com prazer o tédio de uma noite de desfiles em família, na frente da televisão. Elas acham reconfortante supor que o lado B dos adultos seja parecido com a visão infantil da transgressão: comilança, bebedeira, bunda e peitos.

Só falta um pum final.

Na verdade, fora esse momento anual de regressão coletiva, espera-se que, para os adultos, a transgressão seja uma excursão em territórios mais tenebrosos e mais aventurosos. Espera-se que o lado B da gente não caiba no Carnaval televisivo e que sua descoberta peça mais do que alguns litros de cerveja.

1) Nada torna a vida interessante tanto quanto a descoberta de nossa própria complexidade; 2) Talvez a função mor da cultura seja a de nos dar acesso a partes de nosso âmago que normalmente escondemos de nós mesmos; 3) Conclusão: se conseguimos viver plenamente, é graças a autores, atores, intérpretes etc. que nos revelam nosso próprio lado B (e C e D).

Agora, será que o artista poderia levar espectadores ou leitores para territórios que ele não tiver primeiro desbravado nele mesmo?

Alguns pensam assim: só quem ousa se aventurar pelo seu próprio lado B consegue revelar aos outros o lado B que eles escondem de si mesmos. Nina, a estrela do "Lago dos Cisnes", não poderia arrebatar seu público sem se entregar corajosa e perigosamente a seu lado obscuro, sem se entregar ao cisne negro nela.

Outros pensam que, para encarnar o cisne negro, Nina não precisa sentir sua lascívia na pele. Bastaria ela atuar e dançar (como dizia Diderot) com a inteligência, e não com o coração. Mas como ela poderia dançar e atuar o cisne negro com a inteligência sem conhecer e entender o que ela precisa expressar?

Seja como for, quem acha que seu lado obscuro é feito de carnes trêmulas e cerveja deveria fazer um esforço sério para sair da infância. Nesse esforço, Nina e "Cisne Negro" seriam de bastante ajuda.

2) Homens e meninos, mesmo quando aspiram à perfeição, convivem razoavelmente bem com falhas e fracassos. É porque acreditam firmemente que, mesmo imperfeitos, eles nunca deixarão de ser tudo o que suas mães pediram a Deus.

Mulheres e meninas, ao contrário, sentem que, mesmo alcançando a perfeição, não serão o que suas mães pediram a Deus. A explicação clássica disso é que elas, pelo simples fato de serem mulheres, nunca preenchem a expectativa materna tanto quanto um filho varão. Paradoxo: as mulheres aspiram à perfeição mais do que os homens porque tentam merecer uma aprovação materna que é quase impossível.

Há uma outra explicação do sentimento feminino de não corresponder às expectativas maternas. Essa explicação, mais inquietante, diz que, para uma mãe, o triunfo de uma filha (profissional ou amoroso) sempre apresenta ao menos um defeito: o de não ser o triunfo dela mesma, da própria mãe.

A mãe de Nina espera que o sucesso da filha compense suas frustrações de bailarina que renunciou à carreira. Também acusa a filha de ser a causa dessa renúncia. Qual será o melhor bálsamo para a ferida: o sucesso ou o fracasso da filha?

Muito frequentemente, as mães rivalizam com as filhas. Essa rivalidade é especialmente óbvia e feroz quando, de um jeito ou de outro, oferecendo pelúcias ou preparando chazinhos, uma mãe tenta manter a filha parada numa eterna infância.

ccalligari@uol.com.br

Posted via email from Lugar Certo

sexta-feira, março 04, 2011

Eu vi Um lugar qualquer

Media_httppipocamoder_czbjj

é um filme tão franco e tão elegante que é difícil falar qualquer coisa.

fiquei ulteriormente comovido com o trabalho da Coppola.

o filme é tão franco, que não perde tempo em desarolhar um enredo em caracol. vai direto aos personagens em ação.

Media_httpmidiaambros_emgbp

a mãe é uma voz telefônica ao longe (que não sabe quando volta) e o pai um ator de cinema que se deixou carregar pelas astrices da carreira: Ferrari, hotel de luxo e sexo compulsório.

já a filha é uma voz fraca,que pede ajuda.

mas tudo isso se diz sem dizer nada. ou dizendo pouco e certeiramente.

a elegância é a direção de Sofia Coppola, com poucos enquadramentos, sem cortes frenéticos ou montagem de videoclipe. é um filme que não tem medo de ser cinema e fazer com que os personagens lutem contra a inércia.

me lembrei de Dino Buzzati e seu Deserto dos tártaros. me lembrei de João Gilberto Noll e seu Canoas e marolas.

há muito movimento no filme, mas é preciso estar atento, pois da nadeza surge o tocante.

Media_httpwwwdaemonsm_bvcif

um pouco clichê, eu sei, mas uma das minhas cenas favoritas é o preguiçoso zoom na piscina, na cena do cartaz do filme, com Strokes ao fundo.

gosto das autorreferências, que compara o devastador jogo de pernas de Kate Moss com a dupla de strippers indolentes de Um lugar qualquer.

ou aquilo que não foi ouvido pela plateia em Encontros e desencontros e o que não foi ouvido pela filha, em Um lugar qualquer. nem mesmo pelo pai.

basicamente, é a história de um personagem que está em algum lugar (e ele se deixa ficar, inerte) e que precisa ir para algum outro lugar. e eu não sei bem onde está minha posição quanto ao filme. só sei que gostei muito.

Posted via email from Lugar Certo

quarta-feira, março 02, 2011

Eu, Cesare

Media_http2bpblogspot_rdvhu

eu já passei por pedante diversas vezes.

algumas dessas foi por confirmar meu entusiasmo com o cinema expressionista alemão.

sempre gostei dos cenários pontudos, das histórias góticas, dos alto contraste entre luz e sombra.

eu meio que entendia (e entendo) o porquê daquilo tudo.

mas hoje eu mais que entendi, eu vivi: quando olhei no espelho, parecia um ator maquiado prestes a entrar no set do Wiene.

acho que preciso parar um pouco, ler  um gibi, ver um filme, sei lá...

 

Posted via email from Lugar Certo

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Eu vi Cisne negro

faz um tempinho que eu vi o belo filme do Aronofsky.

tinha colocado ele na pauta do blogue, mas deixei quieto porque todo mundo já tinha falado o que precisava ser dito.

pra bem e pra mal.

mas depois dessa assustadaora leitura do João pereira Coutinho, na Folha de S. Paulo de hoje, resolvi defender o filme.

(ou seria defender a mim mesmo, já que concordar com o Coutinho seria discordar de mim?)

ao contrário do que dizem por aí, Cisne negro é, sim, um filme de balé.

a leveza e a graça de uma arte de dança é oposta ao peso e à pressão psicológica vivida pelas bailarinas.

ainda há a pressão da arte de performance. um escritor pode errar, reler, reescrever e o público nunca saberá. diferentemente de uma dançarina que erre a coreografia.

com esse paradoxo de saída, Aronofsky encaixa outro: a disputa dos conceitos apolíneo e dionísíaco sobre Nina, a protagonista.

é um filme de balé que põe seus pés, firme e categoricamente, em uma discussão estética.

(economizo vocês das questões sobre autoimagem, o duplo, identidade fragmentada e o caraio a 4)

a questão não é que Nina precisa perder a virgindade, os pudores e a razão. mas a questão também não é que ela precisa manter o tecnicismo, a busca da perfeição impossível. ela precisa é encontrar o meio termo.

o filme é a busca dos dois conceitos opostos em uma única pessoa.

dionisíaco, claramente, vem de Dionísio (ou Baco), deus grego, entre outras, da arte não figurada e do exagero. seus seguidores esquartejavam animais vivos e comiam o que sobrava, acreditando beber o sangue e comer o corpo do deus (vinho + hóstia católica? oi?). Dionisío representa a força criativa do caos e do desregramento.

apolíneo, é de Apolo. deus das artes figuradas. é de Apolo que vêm a beleza clássica, as formas perfeitas e a sublimação pela experiência estética absoluta. Apolo representa o gênio criativo e a consciência do processo.

Apolo é encantamento e Dionísio é a participação.

(deve existir nomes gregos pra isso, mas não conheço)

Nietzsche tratou o assunto com um tanto mais de qualidade que eu em seu A origem da tragédia. Lá o bigodudo alemão postula que a tragédia grega só é possivel no afluente dos pensamentos apolíneos e dionísiacos.

e isso é Cisne negro. uma discussão estética clássica, repensanda pra nossa sociedade e época, através de uma arte em "quase" desuso.

ah, gostaria de ter revisto Repulsa ao sexo antes de escrever isto, pois a noção de que são filmes relativos ainda não me abandonou.

Posted via email from Lugar Certo

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Em um mundo perfeito...

em um mundo perfeito, existiria o gabinete da silly walk.

e as pessoas passariam mais tempo caminhando divertidamente, largando trânsito, ônibus, aumento de passagem.

já pensou um batedor de carteira Silly-walkado? ou um jogo de futebol inteiro?

realiza a paradinha com Silly walk!

ah, porque eu não posso escrever o roteiro do mundo, meu Deus?

Posted via email from Lugar Certo

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

McGuffin

nessa semana de postagens curtas e de radiohead, lembrei que o cluipe de Just, é um belo exemplo McGuffin.

McGuiffin é uma 'pira' que o personagem quer, que tem existência material, mas que nem sempre descobrimos o que é - porque, na verdade, importa o caminho e não a chegada. é um conceito do Alfred Hitchcock.

tipo a maleta do Pulp Fiction.

tá bem melhor explicado aqui e aqui.

Posted via email from Lugar Certo

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Eu vi Biutiful (edição com extras)

eu não tenho como desconectar Alejandro González Iñárritu de Guillermo Arriaga. foi com eles juntos que conheci o seu cinema.

depois de um leve declive em seus filmes - do brilhante Amores perros ao bom Babel - os dois ficaram loucões e quebraram o pau.

fim da parceria.

Arriaga fez um filme que não vi e Iñárritu fez Biutiful.

na sinopse da programação de cinema a gente já vê que Iñárritu quer deixar Arriaga de lado: não são tramas convergentes, mas a trajetória de UM personagem principal em conflito.

esse conflito tem várias faces, mas é, basicamente, o mesmo com qualquer cara: o desmanche do mundo de um homem, encarnado por Javier Bardem, que atua, até onde entendo disso, soberbamente e é o ponto alto do filme.

o mundo mostrado por Iñárritu continua decadente, meio torto e hiperrealista.a diferença vai pra a estrutura da história.

eu vejo que há dois filmes pelo preço de um: um homem (Uxbal) com um mundo desabando, que precisa cuidar de sua família -  composta por duas crianças e uma ex-esposa tomada -; e um homem com seu mundo desabando que transita pela Barcelona dos imigrantes - africanos vendendo na rua material falsificado feito por orientais.

ah, soma-se a isso uma paranormalidade:Uxbal é capaz de ver e falar com mortos.

Iñárritu tenta dar uma dimensão menos heróica a Uxbal (afinal, explora imigrantes e pessoas que perderam parentes), mas ele é tão empenhado em fazer as coisas certas que não há como não sentir pena dele.

em nenhum momento suas falhas são tão destacadas quanto suas qualidades, dificultando uma postura mais esférica do personagem. é uma ética meio "ele é canalha, mas coitado, no lugar dele o que você faria?"

o conflito dele é tentar remontar um mundo que inevitavelmente vai continuar a ruir.

a falha se deve à falta de tesoura. muitas cenas podiam ser descartadas.

mais: acredito que Iñárritu deveria ter escolhido qual história daquelas duas quer contar. as duas somadas mataram a estrutura dramática de seu filme, que não deixa o espectador guardar o lenço.

é tanta cena emocional, que elas acabam se banalizando.

claro, o diretor é de primeiro time e há sim, várias passagens belíssimas. mas é pouco pra tanto filme.

assim como Uxbal, Iñárritu tenta e tenta de novo fazer o certo. mas no final, entre poucos acertos sobra pouco. parece que Arriaga fez falta.

pra outra opinião, leia o Escorel.

---------

EXTRAS


assisti sábado O diário de Anne Frank (versão de 1980). filme batido, de forte apelo emocional e massacradamente passado pelas escolas de Ensino Fundamental. No final, uma ceninha simplória, que é uma lição de cinema. atuação competente e elipse (veja ali em cima a partir duns 2:45, melomenos).

claro dava pra evitar a musiquinha jacu.

você não precisa ver os nazistas socando a bota nos judeus. basta o pavor das famílias e os olhos resignados de "acabou-se" enquanto ouvem gritos em alemão e marcha militar pra lá de uma porta (por enquanto) fechada.

Posted via email from Lugar Certo

domingo, fevereiro 06, 2011

Esquisitos aleatórios

um belo curta, feito com pouca grana, muita sensibilidade e inteligência.

Posted via email from Lugar Certo

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Eu vi Scott Pilgrim contra o mundo

e gostei.

já que parece inevitável falar disso, vamos à relação HQ Vs filme. (Scott Pilgrim é originalmente uma HQ)

eu fiz um mestrado defendendo que não importa a fidelidade ao original, mas sim a qualidade da nova obra em seu próprio meio, com relações de "espírito" entre elas.

é bem mais importante ser um bom filme, que o filme muito parecido com o gibi.

e Scott Pilgrim contra o mundo é muito divertido e se sai bem como comédia romântica de aventura, pra a geração que viveu os videogames.

o filme - inacessível ao meu pai - é viver em um videogame e concretizar metáforas: garota do seus sonhos, lutar por essa garota e superar os relacionamentos anteriores.

quando eu comprei a graphic novel, eu pensei: essa história não vai dar certo. a junção de elementos é tão absurda e improvável, e ao mesmo tempo, tão óbvia, que consegue ser muito boa. Comprei também o segundo volume e aguardo pelo terceiro. A versão gringa saiu em seis volumes; por aqui, a Quadrinhos na Cia. os compilou de dois em dois.

(até levei meu gibi pra Londres na metade do ano passado, o autor autografaria o lançamento da sexta e última edição por lá - mas não fui pegar meu rabisco).

metade do ano passado? peraí: se o filme saiu lá fora no segundo semestre de 2010, somando o tempo de produção, quer dizer que o final da HQ só foi feito depois do filme ter começado.

isso aí! e o autor do gibi aproveitou umas ideias do roteiro do filme pra fechar a história. e a relação entre os dois meios é inteligentemente pensada pelo povo da película. por exemplo...

o uso dos ícones é muito importante na HQ. pra manter esse clima, o filme aposta em onomatopeias visuais.

vale gastar um pouco de fósforo nisto, mas ainda não o fiz: o corte a transição de cena do filme (muito rápidas) tem muito a ver com a noção de corte de quadro na HQ.

mas deixando o formal de lado, a Ramona Flowers de Lee O'Malley é, pedantemente falando, uma Helena de Troia moderna e em pixels. representa um objeto de desejo, possível de ser conquistado e que vale uma guerra.

mais sobre a Ramona no blogue do Túlio.e aqui o som da banda do Scott Pilgrim.

eis uma animação pra ser vista antes do filme - mas pode ser agora mesmo:


Posted via email from Lugar Certo

sábado, janeiro 15, 2011

Lançamento da Café Espacial 8

nessa edição da Café Espacial tem conto da Van Rodrigues e texto meu sobre  o Godard. e tem mais:

o lugar é aprazível, a companhia agradabilíssima, a música boa. vamos?

 

Posted via email from Lugar Certo

segunda-feira, janeiro 03, 2011

A érotica vida de Serge Gainsbourg

confesso. pra mim, o Serge Gainsbourg era um cantor francês, pai da Charlotte.

depois descobri que aquela música que eu gostava do Luna, era dele.

a versão original, inclui gemidos manhosos da moça aí:

por causa disso, descobri que o Gainsbourg pegou a Bridget Bardot. mas olha bem pra ele:

isso não o impediu de acumular um estenso portfólio de pegas parcerias musicais por toda sua vida.

tudo isso já o torna uma figura interessante. somou-se o fato de a direção e o roteiro do filme ser de Joann Sfar (um quadrinhista) e a Vanessa insistir, e voilà: assitimos a Gainsbourg - Vida heróica. vai o trailer americano meiaboca:

Aqui o bem mais interessante bande anounce francês (contém gostosas, por isso é restrito no YouTube):

e um aperitivo do filme.

Gainsbourg consegue ir além das tradicionais cinebiografias. soluções geniais, saltos cronológicos e, segundo o diretor da bagaça, Sfar, o filme se baseia não na vida, mas nas histórias e na fantasia criada ao redor do mito Serge Gainsbourg.

fica aí a primeira sugestão cinematográfica do ano.

PP (post postagium): vai um trailer da música Comic Strip, parceria do pegador feioso e da Bridget Bardot.


Posted via email from Lugar Certo

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Estreia em Curitba

Hoje, o camarada Aristeu Araújo estreia em Curitiba o seu filme que foi selecionado para o festival de Brasília: Naquela noite ele sonhou com o mar azul. Cinemateca, 20 agá. apareeeeeeeeça!

eu li o roteiro antes de filmar e ainda não vi o curta pronto.

 

 

Posted via email from Lugar Certo

sexta-feira, janeiro 08, 2010

A contraseriedade

quem me conhece, sabe de minha difícil relação com a comédia. ou melhor, com os filmes de comédia. e relação tem tudo a ver.

pois é na não relação que tudo acontece. ou melhor não acontece.

não rio com o Jim Carrey, talvez naquele filme lá, e só.

não acho graça no clássico Pete.

detesto Bohat e tudo que esse cara faz. me entedia.

mas isso não faz de mim um cara sério, sisudo. só não tenho as sinapses necessárias pra rir dessas coisas.

 

rio com o Monthy Python. e vendo a cerimônia de enterro de um deles eu entendi o porquê.

é sério. não é um quadro. é um enterro mesmo. aliás, não é sério. eles não se levam a sério. nada é levado a sério. nem a comédia. comédia que se leva a sério me chateia mais que pessoas que se levam a sério. blogs que se levam a sério me entediam também.

se quero me levar muito a sério, não escrevo. ou isso é só uma desculpa de um cara que quer se levar a sério, sem parecer nada tão sério assim?

isso tá começando a perder a graça. se é que um dia já teve...

Posted via web from Lugar Certo

terça-feira, novembro 17, 2009

Lost in translation OU Títulos a beira de um ataque de nervos

Eu admito: não me sinto nada original e cogitei até não escrever sobre isso.

mas por fim, me meti atrás do teclado e está aí: algumas graças da tradução de títulos de filmes. eu, um entusiasta de listas (leu o blogue ontem?), categorizo em pelo menos três essas traduções:

Tipo, totalmente em português brasileiro

Esse não é dos piores, mas ser uma espécie de metalinguagem, já que o título original se perdeu na tradução, é do caralho.

já esse é totalmente criativo: haja capacidade pra sair de A corda e chegar a Festim diabólico.

Como alguém consegue ver este filme e falar: já sei! que tal Mistérios e paixões? levei anos pra saber que uma adaptação do livro existia.

Totalmente em, tipo, português europeu

Apesar de Um corpo que cai ser bastante legal, os lusitanos nos moeram: A mulher que viveu duas vezes. Jesus multiplicou pães e peixes. os tradutores, palavras

esse, confesso, é que motivou a minha postagem. creio que Sacanas sem lei fale por si só.

Se você achava que Os reis do iê-iê-iê era o fundo do poço, nossos amigos lusitanos abriram os porões do poço: Os Quatro Cabeleiras do Após-Calypso. repetindo: Os Quatro Cabeleiras do Após-Calypso. a partir daqui, tudo é anticlímax

Meio português, meio inglês, sem azeitonas

o nome do filme se refere a uma tecnica de revelação fotográfica, mas algum cabeçudo precisava socar um explicativo "depois daquele beijo". que ao lado de Blow up, significa nada e confunde muito.

Se você achava Um beijo roubado brasileiro ruim, que tal My blueberry nights - o sabor do amor?

sim, você já viu antes. sabe como se pede esse filme em Portugal? "você tem Lost in translation - O AMOR É UM LUGAR ESTRANHO? Com a Scarlett Johansson, Bill Murray?"

Posted via web from Lugar Certo