sexta-feira, junho 17, 2005

Psicanálhase 2

A Ana (Lista) disse que meu Id (ota) tá querendo que o (c)Ego se supere. Mas ele tá meio perdido no Édipo (é complexo, sabe).

Parece que minhas pulsões textuais tem sido recalcadas no incosistente e somatizadas em forma de bloguesteria.


Monkeys gone to heaven - Pixies

quinta-feira, junho 16, 2005

Psicanálhase

Minha Ana Lista me disse que tenho complexo de Freud. Que recalco minhas pulsões, pulsinhas e pulsos cortados.

Que o Eros tá de foder com o Tânatos. O Id quer uma capa, mas o Superego disse que é dele e o Ego, sum.

A Ana Lista diz que estou reprimindo um desejo incosciente de "pau no cu" do Freud. Ela disse que vai me deitar no divã e que aquilo na foto não era só um charuto.


Freud Flinstone - Engenheiros do Hawaii

quarta-feira, junho 15, 2005

Serviço de utilidade pública: Laerte

As tiras de Laerte na Folha de São Paulo são pequenas obras de arte.



Vale a internet também [>>>]


Seven Months - Portishead

sábado, junho 11, 2005

Um texto tosco para um final de semana pouco promissor

Jaime era bonzinho pra caraleo.

Foi que de tanto andar com um baralho no bolso da camisa, o naipe de ouros entranhou-se-lhe, o de copas desceu peito abaixo, o de paus um pouco mais e o de espadas cutucava sua bunda.

Ele era todo coração: e mais: um coração de ouro!

Ajudava escoteiros a atravessarem a rua, carregava velhinhas pesadas para as sacolas, dava frio pra quem tinha blusa, fome pra quem tinha comida, sempre dava seu velho no banco para um ônibus, jogava pombas no milho para as calçadas, clicheava os jargões nos lugares comuns.

Até que um dia foi assassinado por uma quadrilha de vendedores de órgãos. Como haviam perdido sua noite e não encontraram nem cravo, nem piano, buscaram os rins de Jaime.

Mas estavam ruins. Tentaram os intestinos. Mas estava uma merda. Tentaram os músculos. Mas estavam no osso.

Arrancam-lhe o coração: era dourado.

Petelecaram ele: oco.
Unharam ele: banhado a ouro.
Enfiaram uma das espadas-que-cutucavam-a-bunda-do-Jaime no atrio de lá e o abriram: sangue, nervo, grito e noz. Ouviram o grito: deixaram os nervos para um cabo de hiper-tensão: o sangue secaram na calçada: noz para o alto. Uma pra cada.


My iron lung - Radiohead

sexta-feira, junho 10, 2005

Dupla cidadania

Acho que pelo tempo vivido, serviços prestados e taxas pagas, consigo fácil um passaporte de cidadão da Merda.

Merda - Mombojó

quarta-feira, junho 08, 2005

post-cardeal

Dizem que me acho demais, mas é inevitável; vivo perdido...

Same - Snow Patrol

terça-feira, junho 07, 2005

Marta no país da morfologia

Marta lia um livro. Resolveu abrir ele bem, tão bem, até que ela pudesse entrar dentro dele.

E Marta entrou. Entrou em um dado lançado em um correRio, passou por Galáxias e zoológicos fumarentos.

Marta então chegou a um castelo sem portas. Entrou.

Encontrou uma mesa com homens mudos jogando cartas de tarô e outra mesa com comida. Marta estava faminta.

Na mesa das comidas tinha sopa de acentos, guizado de plosivas, suco de sintaxe. Mas Marta optou pelos diliciosos O's caramelizados.

Marta engoliu um O inteiro, sem mastigar ou passar um circunflexo em cima. Marta se engasgou.

Começa a tussir, a Marta. Cospe um A. Finalmente, Marta engole o O.

Caiu pra trás, a Morta.


7 words - Deftones

domingo, junho 05, 2005

constatações métricas

Condições da valiação: uma neblina que poderá ser chamada de fog pra dar um clima mais londrino, 14 graus celsius e início ao horário de 0h01m de domingo.

Gasta-se em torno de 80 minutos do terminal do portão até a casa onde moro.


Miles away - Yeah Yeah Yeahs

sexta-feira, junho 03, 2005

post-placebo

Tudo tão prevível:

foi absolutamente inimaginável, como havia previsto.


Super freaky memories - Luna

quinta-feira, junho 02, 2005

Papéis sociais

Todo indivíduo em uma sociedade desempenha uma função "social".

Essa função dependerá de vários fatores: opção sexual, idade, etnia, etcteria. Podemos chamar isso de papel social.

Conversando com Paulo Sandrini (escritor e companheiro de mestrado), propomos uma classificação para os papéis sexuais na sociedade:

o papel do homossexual masculino=papel de carta;
do heterossexual masculino=sulfite branco
da heterossexual feminina=papel de seda;
da homessexual feminina=papel couché 120g fosco;
papel do transsexual=celofane;
do bissexual=papel bíblia.


Paperbag Writer - The Beatles

terça-feira, maio 31, 2005

Edições

Uma revista: eis o quê minha vida precisa.

Afinal, quando seu despertador (em meio a revistas e livros) pede pra que você levante e você sequer o ouve, tem alguma página faltando.


I'm Only Sleeping (Beatles) - The Vines

domingo, maio 29, 2005

post-pílula (segunda dose)

Além de chamar JAZZ de [jás] esses pedantores da língua costumam pronunciar o nome do músico - imaginemos Cole Porter - como um falante nativo de inglês.

Se possível com sotaque nova-iorquino - que é cool (cu?), arrombando toda e qualquer dança dos sons do português, com um desafino estrangeiro.


Nada - Sofia

sexta-feira, maio 27, 2005

Latin Lover & Grammar Girl

No latim clássico não há pronome de terceira pessoa.

{ Pronome: bagaça gramatical que vai no lugar do nome. Ex.: eu, tu, te, o, nós, etc.

O português - uma língua latina - apresenta um pequeno problema com relação aos pronomes, esses figurões gramaticais que criam uma ligação indireta com pessoa. Na penúltima flor do Lácio (pau no cu do cadáver do Bilac - que ele gosta), fica difícil amar indiretamente.

"Eu a amo."
"Eu amo ela."
[nenhum desses textos sobrevie à oralização]

Amor em português, tem que ser descarado, na cara. Não se pode amar um simulacro. Tem que ser a própria:

Eu amo Caliope.


Love of my life - Queen

quarta-feira, maio 25, 2005

dESComPasSo

Eu sei que tenho um problema na vida.

Na verdade, não chega ser um problema mas uma incapacidade. Uma incapacidade abrangente.

Não tenho ritmo.

O Lielson não sabe tocar violão. Por quê?
ritmO

O Lielson não sabe cantar. Por quê?
ritMo

O Lielson não manja poesia. Por quê?
riTmo

O Lielson não sabe dançar. Por quê?
rItmo

Ritmo, esse estranho, é o agente que torna harmoniosa os espaços e os conteúdos que deslacunam nossas vidas.

Enquanto você, com teu descompasso, vai desarmonizando consigo, atravessando os compassos dos dias, o ritmo compassa tempo e existência.

O tempo é um príncipio organizador de todos os sistemas (e todos os sistemas tendem a entropia - ou seja, desorganização). Quando você está em descompasso o tempo vai à entropia.

Encontra hoje o CD procurado ontem. Lembra ontem o que deveria fazer amanhã. Descobre amanhã o imperdível filme de hoje.

Se há um descompasso no seu desejo e no dela, a única harmonia é no lamento. Em tempos diferentes.


Cordão - Chico Buarque

terça-feira, maio 24, 2005

post-pílula

Acho que não tem coisa mais pedante que chamar JAZZ[diéz] de [jás].

Sem contar, claro, que JAZZ já é suficientemente pernóstico por si.


Jazz from hell - Frank Zappa