quinta-feira, agosto 17, 2006

Uma agulha funda nos nervos

Era do tipo abre bem a boca por que é uma região difícil de acertar. Nada reconfortante ouvir a dentista te falar isso.

Mete-lhe agulha adentro, os nervos mandibulares chiam e exigem retorno e a sensação de corpo estranho é incômoda.

No resumo: a dentista vai meter uma broca meu dente adentro pra que uma cárie vaze afora. Como na vez anterior que fiz a tal restauração a 'seco', doeu pra caraio, não me contive em pedir o anestésico.

Duas agulhadas e 3 repuxões nevrálgicos depois, as formigas correm pelos meus lábios pela parte de dentro. As mesmas formigas desligam minha língua e dançam quadrilha na minha gengiva.

Carnaval delas e greve geral da metade esquerda de baixo da minha boca. Penso em Gargantua ou Pantagruel do Rabelais, quando os soldados (ou algo assim) viveram anos na boca de um gigante desses.

A broca entra e sai do dente, a boca continua aberta e as promessas não se cumprem: a dor bate cartão, ainda que com menor entusiasmo.

Bato meu cartão no trabalho como um boca-mole. A iminência da baba domina a manhã. Mas tudo escorre bem.


Anesthesia - Luna

terça-feira, agosto 15, 2006

Metablogue

Bem, como o Oliver ne post pas eu retirei your adress de meu blog.

Và bene, os textos eram bons, mas se já leu, novidade nihil sub solem.

Ah, eu (nada a ver com o Oliver) odeio quem põe mots étranges dans le text.


Be strong now - James Iha

segunda-feira, agosto 14, 2006

Minha vida de animação






Guns of Brixton - Nouvelle Vague

sexta-feira, agosto 11, 2006

Pra não passar em branco...

Ele publicou 3 romances, 1 coletânea de crônicas publicadas semanalmente nos jornais, 1 livro de contos, 2 de poesia, jogou no fogo 1 livro de memórias e 3 contos, rasgou 5 poemas, desistiu de publicar 64 cartas verídicas em ordem falsa. Ganhou um Jabuti e ficou 17 semanas na lista dos mais vendidos nas revistas de circulação nacional.

Hoje, completa 40 de idade e 8 de silêncio literário.

Pra não deixar passar em branco, escreveu um bilhetinho num papel amarelo e, apesar do adesivo, pôs com um imã na geladeira: EU AINDA TE AMO

Não seria lido dessa vez por ninguém. Revoltado, se atirou contra a geladeira num ímpeto de falta e solidão, tremendo no ritmo do nome dela e do desassossego no estômago. Diante da sabida inutilidade do gesto, não conseguiu arrancá-lo dali. Deixou isso para o tempo e o sol de fim de tarde.


The night - Morphine

quarta-feira, agosto 02, 2006

Sobre blogues

Um dia ainda serei um blogueiro famoso...




Tomorrow never knows - Beatles

terça-feira, agosto 01, 2006

Vico

Aperta o repeat no iTunes e deixo o OK Computer tocar o dia todo. Tem coisas que pode fazer sempre, sem se chatear. O OK Computer, pra mim, não é como açucar. De açucar você enjoa. Eu adoro repetir os dias com esse disco.

Abro as Flores do Mal e releio. Só troco o marcador de página do Asterix de lugar. Terminei o volume ontem pela sétima vez. Leio esse livro todo ano. Eu adoro repetir meus dias com As Flores do Mal.

Na TV, Indiana Jones. Já sei até as falas de Harrison Ford com Sean Connery. Eu revejo esse filme sempre que posso. Tem alguma coisa não explicada nele, que me faz sentar e esperar o final. Final que já conheço. Mas uma tarde é sempre boa quando repetida com A Última Cruzada.

No meu quarto, você. Como ontem, hoje e amanhã. Sei que vai reclamar do chuva/ do sol/ das nuvens/ do frio/ do calor. Entendo tudinho e sei por que é bom ter você à minha frente, ao meu lado. Pois um dia só é UM, se repetido com você.


Palo alto - Radiohead

sexta-feira, julho 28, 2006

Travaille




Queremos paz - Gotan Project

quinta-feira, julho 27, 2006

Lavoro

Eu, no meu papel de redator, reviso fuins de furadeiras e apago batidas de porta. Pontuo o tempo até a saída, tiro a vírgula das aflições, ponho um

parágrafo no seu desabafo e reticentio meus dentes morderosos.

Imprimo o desabafo e comparo os meus medos num arquivo .PDF: o texto é bom, (a)fora um ponto e vírgula; mas vai fora de FORMATO.

São, entre os entrelinhas.


Do lado de dentro - Los Hermanos

terça-feira, julho 25, 2006

Janela II

A mocinha sorria: o vestido de pano cru vermelhinho, o realce nos olhos com a sombra da veneziana, as mãos cruzadamente sobre o batente da janela (por mais que ele tivesse batido no vidro), o bilhete muitamente lido (já rasgado nos vincos da dobra e colados com duréx), o cabelo penteado às diversas.

A mocinha sorria e esperava, ajanelada.

No começo a mãe era contra, o pai não gostava. Mas a mocinha não sai da janela. Sorrindo e esperando. Lê, come, morde os lábios, bebe, regarda, debruça, coça, conversa, rega as plantas, quasedormeia.

A mocinha vive, espera e sorri.

Ali, enquadrada: vive, espera e sorri nessa janela hoje, há 63 anos.


Sleeping in - Postal Service

segunda-feira, julho 24, 2006

Um comentário rápido

O fato de do vice-presidente José Alencar ser destituido de sua vicessidade e empossado Presidente da República Federativa do Brasil em um hospital TEM QUE ser mais que uma mera coincidência envolvendo a democracia brasileira...


Thom Yorke - The eraser

sexta-feira, julho 14, 2006

Formatura do Lauro



Tiago 'insano' Perreto/ eu/ Lauro ' Psycho'/ Rafael 'Picareta' Caneparo


National anthem - Radiohead

quarta-feira, julho 12, 2006

O rídículo

O rapaz, perdido em intelectualices e bobagens, sobe a escada da biblioteca com um papelzinho na mão.

Ávido, procura os números do papel na estante.

Olha pro livro, sente sua cabeça pesar. Sente o olho pesar. Não aguenta, cai sentado.

Permanece imóvel, olhando pra um livro de Roman Jakobson e não vendo perspectivas.


Welcome to the machine - Pink Floyd

terça-feira, julho 11, 2006

Atenção, passageiros: parada de 60 anos no posto Vida pra lanche!

Syd levantou após esperar que as pessoas saissem do ônibus. Pra que esperar em pé, se podia permanecer, atirado e amortecido, nos dois bancos.

Levantou calmamente, tirou os fones dos ouvidos e apertou STOP[]. A fita TECou. Ele andou para fora.

Sentiu-se irritado com a luz forte, com o frio e com o lugar estranho.

Um homem de branco bateu nas suas costas e pediu passagem. Syd andou e olhou desconsalado pra frente.

Rapidamente, Syd entrou na lancheria.

Obviamente, pediu um suco Pink e uma torta Flóide, os itens baratos do menu. Quando terminou de comer, Syd levantou pra dar uma volta.

Caminhou um pouco pelo patiozinho desse posto desolado, desse parêntese entre nada e coisa nenhuma. Com um cano de ferro, que estava ali, atirado ao chão, escreveu seu nome no cimento fresco. E depois, na terra.

Deu PLAY|>| em seu walkman.

Tão logo a música começou, encheu-se. Arrebatado por uma fúria inércica, [], e arrancou a fita do aparelho.

Mas ao invés de atirá-la na escuridão distante, deixou ela como presente a quem quiser ouvir, ao lado de seu nome escrito na terra.

Embarcou no ônibus e ficou olhando pela janela, esperando a hora de partir.


Shine you crazy diamond - Pink Floyd

segunda-feira, julho 10, 2006

Promessas de final de Copa

Tem gente que faz promessa de fim de ano. Eu faço de fim de Copa.

É uma forma de ocupar aquele vazio que se apodera de mim, após 1 mês de futebol de modo intenso. Há quem chame esse vazio de Depressão Pós-Copa.

Uma vantagem dessa modalidade de promessas e estabelecer de metas pessoal é o tempo possível para sua realização. O período é tão longo que basta beber a taça da vitória ao final ou amarrar a sacolinha da derrota e pôr no lixo reciclável.

Das promessas de 2002 até aqui, a dever uma maior dedicação ao trabalho autoral. De resto, ganhei uns benéficos quilos, a possibilidade de pagar contas com meu próprio dinheiro, VOCÊ (principalmente), entrei em Letras (mestrado conta como benefício extra), completei Monstro do Pântano e Homem-Animal e sei lá mais o quê.

Pra 2010, o que vai na lista?


Respect - Aretha Franklin

terça-feira, julho 04, 2006

A geometria do futebol





Minha história (Gesubambino) - Chico Buarque