segunda-feira, fevereiro 28, 2011

O gato de Schrödinger pulou no meu colo. ou não.

comecei a ler hoje, no ônibus, o livro do Murakami.

foi paradoxal ler sobre um Havaí sem nuvens e ensolarado enquanto estava no em um ônibus lotado, lutando contra cotovelos e freiadas típicas de transporte de animais de abate.

(seriam os motoristas de ônibus enigmistas que advertem por ações metafóricas?)

em um trânsito congestionado, eu imobilizado pelo acúmulo humano, lendo sobre corrida.

corrida que não pude começar a fazer, por estar correndo demais. e enquanto eu não correr (porque estou corrido) eu posso começar - ou não - a correr todo dia.

tem borda recheada de cheddar nesa pizza (ou não)? até abrir, tem e não tem.

até eu não correr, eu posso e não posso correr. o cansaço até lá, é brinde.

 

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sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Just' cause you feel it doesn't means it's there

A M O R T E C I D O.

era sim que cada um deles se sentia, cada um com sua morfina, cada um em sua implosão, todos igualmente amortecidos. teve quem bufou, teve quem fingiu se empedrar, tem quem se deixasse amortecer de dentro pra fora. mas pelo menos 3 vomitaram o desvigor.

Aparecida, sabendo que se deve tirar o mais - nem o pior, nem o melhor, mas a essência - de cada momento de sua vida, se permitiu amortecer até que seu corpo caiu do sofá, amoleceu no chão, derreteu entre os tacos e se vaporizou no andar de baixo, totalmente entorpecido.

Yashin, decidiu sair de casa, ainda que amortecido. tomou um par - uma branca e uma verde - e nunca mais foi visto.

Liz, meio molenga e sem ritmo, cantarolou sua música favorita. ela precisava sentir alguma coisa. precisava. sentou na frente de seus empoeirados CDs, puxou o disco certo, ligou bem alto e dançou até que os poros de seu braço festejassem o satori engenhado.

tudo continuava igual, mas eles desamortecidos, já nem lembravam de ter sentido algo diferente de seu agora.

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quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Se o cinema é 3D, a existência é 10 D

vi lá no Trabalho Sujo, mas esse é o vídeo com legenda em português torto.

advirto: não me responsabilizo por nós na cabeça.

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terça-feira, fevereiro 22, 2011

Eu vi Cisne negro

faz um tempinho que eu vi o belo filme do Aronofsky.

tinha colocado ele na pauta do blogue, mas deixei quieto porque todo mundo já tinha falado o que precisava ser dito.

pra bem e pra mal.

mas depois dessa assustadaora leitura do João pereira Coutinho, na Folha de S. Paulo de hoje, resolvi defender o filme.

(ou seria defender a mim mesmo, já que concordar com o Coutinho seria discordar de mim?)

ao contrário do que dizem por aí, Cisne negro é, sim, um filme de balé.

a leveza e a graça de uma arte de dança é oposta ao peso e à pressão psicológica vivida pelas bailarinas.

ainda há a pressão da arte de performance. um escritor pode errar, reler, reescrever e o público nunca saberá. diferentemente de uma dançarina que erre a coreografia.

com esse paradoxo de saída, Aronofsky encaixa outro: a disputa dos conceitos apolíneo e dionísíaco sobre Nina, a protagonista.

é um filme de balé que põe seus pés, firme e categoricamente, em uma discussão estética.

(economizo vocês das questões sobre autoimagem, o duplo, identidade fragmentada e o caraio a 4)

a questão não é que Nina precisa perder a virgindade, os pudores e a razão. mas a questão também não é que ela precisa manter o tecnicismo, a busca da perfeição impossível. ela precisa é encontrar o meio termo.

o filme é a busca dos dois conceitos opostos em uma única pessoa.

dionisíaco, claramente, vem de Dionísio (ou Baco), deus grego, entre outras, da arte não figurada e do exagero. seus seguidores esquartejavam animais vivos e comiam o que sobrava, acreditando beber o sangue e comer o corpo do deus (vinho + hóstia católica? oi?). Dionisío representa a força criativa do caos e do desregramento.

apolíneo, é de Apolo. deus das artes figuradas. é de Apolo que vêm a beleza clássica, as formas perfeitas e a sublimação pela experiência estética absoluta. Apolo representa o gênio criativo e a consciência do processo.

Apolo é encantamento e Dionísio é a participação.

(deve existir nomes gregos pra isso, mas não conheço)

Nietzsche tratou o assunto com um tanto mais de qualidade que eu em seu A origem da tragédia. Lá o bigodudo alemão postula que a tragédia grega só é possivel no afluente dos pensamentos apolíneos e dionísiacos.

e isso é Cisne negro. uma discussão estética clássica, repensanda pra nossa sociedade e época, através de uma arte em "quase" desuso.

ah, gostaria de ter revisto Repulsa ao sexo antes de escrever isto, pois a noção de que são filmes relativos ainda não me abandonou.

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Lançamento de Ordinário

Hoje vou conversar com o genial Rafael Sica, na Itiban.

o camarada vai lançar lá seu livro Ordinário.

Conheça o trabalho do Sica, compre o livro na Itiban, veja o bate-papo e autografe.

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segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Em um mundo perfeito...

em um mundo perfeito, existiria o gabinete da silly walk.

e as pessoas passariam mais tempo caminhando divertidamente, largando trânsito, ônibus, aumento de passagem.

já pensou um batedor de carteira Silly-walkado? ou um jogo de futebol inteiro?

realiza a paradinha com Silly walk!

ah, porque eu não posso escrever o roteiro do mundo, meu Deus?

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sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Lançamento de Gefangene na Itiban

é hoje!

vou lá conversar com o Koostela, na Itiban, às 19 agá.

tuíte com #itibansessions pra fazer perguntas e comentários sobre o bate-papo.

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Primeiro orelhada em King of limbs

taí o primeiro clip do disco novo do Radiohead.

se chama Lotus flower.

parece mais "errado" que o Hail to the Thief, mais fácil que o Kid A e menos melodioso que o In Rainbows. e, claro, comparável, mas diferente de todo o resto já feito pela banda.

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quinta-feira, fevereiro 17, 2011

McGuffin

nessa semana de postagens curtas e de radiohead, lembrei que o cluipe de Just, é um belo exemplo McGuffin.

McGuiffin é uma 'pira' que o personagem quer, que tem existência material, mas que nem sempre descobrimos o que é - porque, na verdade, importa o caminho e não a chegada. é um conceito do Alfred Hitchcock.

tipo a maleta do Pulp Fiction.

tá bem melhor explicado aqui e aqui.

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quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Rewind

Já falei antes sobre isso, mas quando algo me epifaniza, eu tenho vontade de correr.

e já corri muito com um velho walkman da Sony nos orelhas.

imaginava se aqueles giros da fita eram mais certeiros que os giros que eu fazia dentro de mim.

voltava as fitas com a caneta pra economizar pilha.

hoje tento voltar a vida com as teclas.

ouvindo a mesma música:

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terça-feira, fevereiro 15, 2011

Nessa semana

só radioheadices

essa é a minha favorita do Amnesiac:

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segunda-feira, fevereiro 14, 2011

King of limbs

em um dia de tensões e obrigações que me fariam ficar louco, ainda estou todo serelepe.

só porque vai ter disco novo do Radiohead.

e os caras me agradecem por ter esperado.

que é isso, rapaziada, fiquei ouvindo todo o resto que você fizeram e eu que agradeço!

passada a putaria minha com a banda (que na verdade, não passou), é de se pensar o que liga na minha cabeça ouvindo esses caras.

a coisa realmente é pantagruélica.

poucos momentos na minha vida causaram tanto furor quanto o show que eu vi em São Paulo.

Por um minutinho, eu me perdi e quando voltei eu tinha engolido aquela maravilha musical ouvidos adentro.

já ouvi mais vezes o Ok Computer do que "você pode refazer isso?"

cada vez que eu ouço talk show host, meu estômago aperta bolhas de plástico lá dentro.

e é só um punhado de acordes de rock - classudos, é bem verdade - enrolados em coisas que fazem o Lielson pirar.

um dia eu descubro, até lá vou ouvindo...

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sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Um minuto

o que você consegue fazer em um minuto?

é, 1 segundo depois do outro, até 60.

Uma boa ideia chega em 1 minuto. e uma ideia ruim chega em 1 minuto.

quantos eu te amo cabem em 1 minuto? quantos clichês cabem? quantas frases do saramago?

um corredor consegue a 4 metros por segundo fazer 240 metros - o que dá umas duas quadras se não precisar esperar pra atravessar a rua.

já pensou esperar sempre, 1 minuto pra atravessar a rua? esperar sempre 1 minuto antes de cada qualquer?

em 1 minuto dá pra fazer qunatas vezes os 140 caracteres do twitter?

em 1 minuto, quanto dá pra sentir do Osman Lins, do Lars Von Trier?

em 1 minuto dá pra resolver foder com tudo, não fazer e por isso, sim, foder com tudo de verdade. será que dá?

em 1 minuto, você lê esta postagem aqui. ou até menos.

tenha 1 minuto de mau-humor.

1 minuto pra se perder entre os pontos de ônibus certo e errado.

tem uma proposta aqui de parar por 2 minutos.

tenta parar metade disso.

se perca por 1 minuto e depois volte e lembre disse por 1 minuto.

1 só.

e chega! vai lá viver 1 minuto depois do outro.

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quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Jornal velho - Marcelo Coelho

Na Ilustrada de ontem, Marcelo Coelho fala sobre sungas e sobre a revolução egípcia.

Concordo com tudo, menos com a parte do mocassim.

MARCELO COELHO 

Sungas, jamais! 


Às favas, portanto, com vossas sungas, cariocas, pernambucanos, paulistas: soy antes argentino

OS BRASILEIROS invadiram Punta del Este neste verão, segundo li na Folha algumas semanas atrás. Um detalhe, entretanto, chama a atenção de uruguaios e argentinos.
Estranha-se muito, naquelas praias do sul, que os brasileiros estejam sempre de sunga. E de correntinha. Por lá, o uso da sunga parece ser restrito apenas aos membros da comunidade gay.
Ao ver alguém de sunga em Punta del Este, portanto, o argentino típico hesita: é gay ou é brasileiro? Ou será as duas coisas?
No que tange à indumentária masculina, tendo a admirar os padrões argentinos. Demorei muito a "assumir", digamos, o uso da sunga e da havaiana em lugares de praia.
Preferi, durante muitos anos, usar a bermuda de algodão e o mocassim. Era menos "popular"; mais "distinto", mais "clássico", mais... argentino.
Tendo aposentado esse modelito aí pela segunda metade do governo Fernando Henrique Cardoso, assinalo que minha antipatia pela sunga não diminuiu com o uso, e possui diversas razões para se manter.
Razões históricas, psicológicas, etimológicas e sociais.
Históricas: minha aversão pela sunga remonta aos anos 80, quando numa operação de marketing político divulgaram fotos do general Figueiredo fazendo exercício. Compenetrado e furioso, o então presidente da República levantava halteres, bufava numa pista de corrida, expelia suor e testosterona pela careca; tudo isso, de sunga e tênis.
Esse tipo de atleta já passado em anos é comum em certos lugares do Rio de Janeiro, como a praia do Flamengo; sem dúvida, um paraíso para militares aposentados. Jogam peteca e fazem cooper; a pele, de tanto tomar sol, já é uma espécie de couro, de casco, de couraça cangaceira; a energia desses sexagenários, voltada para o frescobol ou o vôlei de praia, ganha aspectos de inconfundível revanchismo.
Por cima, a sunga. Tudo, menos usar uma coisa dessas! Verdade que minha repugnância escondia outros complexos, outros traumas. Nunca me orgulhei do meu próprio físico. O uso da sunga -pura e simples, sem camisa- inspira-me um nada falso movimento de modéstia. Às favas, portanto, com vossas sungas, cariocas, pernambucanos, paulistas: soy antes argentino. Quizás uruguayo.
A palavra, em si, já me desagrada, com seu "g" pendurado depois da cava do "u" e do "n" invertido na frente.
Passemos à correntinha. Provavelmente aquelas antigas, de Nossa Senhora Aparecida, não se usam mais; o que causa estranheza em Punta del Este deve ser mais aqueles correntões de ouro, tipo bicheiro e traficante, outra herança dos anos Figueiredo.
Mas que seja: correntinhas; beijá-las antes de entrar na água. Fazer o sinal da cruz na hora de cobrar um pênalti. Um argentino não sei, mas um americano poderia talvez pensar, a cada gesto desse tipo, que o povo brasileiro é composto de religiosos, e mesmo de fanáticos.
Cada vez que vejo muçulmanos inclinados para Meca, naquelas fotos que os mostram em multidão, a ideia do "fanatismo" se acende em mim do mesmo jeito. Como saber? Talvez uma reza seja apenas uma mistura de reverência e hábito, de respeito e medo, como o ato de quem se persigna ao entrar no mar.
E aquelas mulheres de véu na cabeça, participando das manifestações no Egito, usam o véu por razões "religiosas", é certo. Mas quem sabe se não tão religiosas assim.
Evitar o uso de sunga e preferir a bermuda não é religião, mas quase -envolve pudores, convicções, tabus, hábitos, preconceitos, crenças, sei lá o que mais.
Escrevo isso enquanto leio artigos dizendo o que os egípcios querem ou deixam de querer em seus movimentos de protesto. Não são religiosos. Querem liberdade. Não querem liberdade. Querem emprego. Não querem emprego. Querem...
Com que autoridade se multiplicam essas interpretações! É como se alguém dissesse, durante as Diretas Já, que os brasileiros não querem democracia, mas sim uma moeda estável... Ou se, em 1979, alguém dissesse que os iranianos queriam democracia, e nunca iriam aceitar um regime fundamentalista xiita.
Não me arrisco a interpretar os egípcios, portanto. Aquela situação pode evoluir em muitas direções. Só para quem acredita em Alá, de resto, tudo já está escrito. Eu, por exemplo, nunca quis usar sunga. Acabei usando -sabe-se lá onde isso vai parar. 
coelhofsp@uol.com.br

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quarta-feira, fevereiro 09, 2011

É hoje

Viu a parte do cartaz que diz bate-papo? então, eu que vou mediar.

a Gazeta deu a nota ontem.

(lá fica claro que sou um leitor capaz de dar conta de uma obra inacessível, densa e elaborada - :>p)

apareçaaaaam!

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