sexta-feira, agosto 10, 2012

Leiturosseia do Ulysses - Capítulo Quinze - Circe

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[página da adaptação para os quadrinhos de A odisseia, de George Pichard]

esse capítulo é uma verdadeira zona.

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ele se passa no bordel. Stephen, Mulligan, alguns outros estudantes de medicina e Leopold Bloom são convidados pelas profissionais do sexo a dispender seu rico dinheirinho com uma noite de exultância carnal.

o grupo todo, menos Bloom, faz a festa com o bolso do Stephen, que toca piano e canta, muito louco de bebida.

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no final, o sensato Leopold, convence Stephen a ir embora. mas antes de sair, o jovem Dedalus quebra uma lâmpada sem querer e as cortesãs exigem o pagmento do reparo em um esquema superfaturado digno de uma CPI ou da

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Bloom argue que não e paga só o devido, sendo que ele já havia se autointitulado guardião do dinheiro de Stephen. isso não acaba bem e após um linda discussão com um militar britânico Dedalus toma-lhe uma porrada na cara e desmaia.

os guardas chegam para ver qualé e são convencidos, de boa, a vazar. Mulligan ajuda Stephen e o conduz direto para a terceira parte do livro, o capítulo 16.

esse capítulo é totalmente alucinado na parte da linguagem e escrito como uma peça teatral com rubricas e entrada dos nomes dos personagens antes de suas falas. Bloom é transformado em mulher e em porco num momento hilário (e também coroado governador), Stephen encontra o fantasma de sua mãe em um momento apavorante e o livro gera um momento incrível para o leitor. sem dúvida o capítulo que mais me emocionou e me deixou doido foi este.

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(sem falar no final tocante em que Bloom revê o filho morto)

essa alucinação toda tem a ver com a base homérica do capítulo, que é Circe, uma senhora mágica que exala sexo, no Canto X da Odisseia. Circe transforma os companheiros de Ulisses em porcos depois de chapa-los com o velho truque do boa noite, cinderela (que devia se chamar boa noite cronos) e o próprio saqueador de cidades só se salva porque Hermes deu a dica: come essa flor aqui que tu fica imune - detalhe importante: a flor se chama móli -- molly, móli, ahn-ahn?

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aí o Ulisses, coitado, é obrigado a trepar com a Circe pra livrar seus homens da maldição. ele faz o esforço e eles navegam para casa ou quase isso. tá aqui um resumo mais completo do episódio.

o capítulo mais longo do livro provavelmente deve sua imensa paginação à formatação de texto teatral - que palpito eu, seria escrito em formato de roteiro audiovisual se Joyce conhece o formato que se usa hoje em dia.

pois bem, atravessamos 15 capítulos e duas partes, no capítulo seguinte já estaremos em Ítaca e muito perto do fim já saudoso dessa odisseia.

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segunda-feira, agosto 06, 2012

Leiturosseia do Ulysses - Capítulo Quatorze - Gado do Sol

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[o pôster bacanudo é do Nicholas Girling e pode ser comprado no site dele]

apesar do Paulo Coelho dizer que não gosta e que o Ulysses é um livro vazio, continuo com a minha leitura por pura teimosia, pois, afinal, o que mais pode ser dito depois de dom Paulete? 

ao livro que fez mal à literatura: este é um dos capítulos mais audaciososo do Ulysses - também chamado de difícil e de ilegível. veja só: a cena se passa na maternidade, onde a Sra. Purefoy está há dias em um parto complicadíssimo e Leopold Bloom resolve visitá-la. lá no hospital encontra Stephen e uma galera aprontando todas e bebendo mais ainda.

por alguma razão, Bloom fica com pena de Stephen e resolve cuidar do moleque pra ele não fazer merda. então a criança Purefoy nasce bem e todos resolvem cair na gandaia e Bloom vai junto. daí, o próximo capítulo que se passa num bordel.

o episódio homérico é aquele que os marinheiros do Ulisses desobedecem o aviso e carneiam os bois de Hélio, o Sol, para comer, invocando contra eles, óbvio, the furious anger do deus.

é mais um dos quiprocós da Odisseia: quando tudo parecia que se arranjaria, alguén faz uma cagada e eles não conseguem voltar pra casa. e você achava que a Uni era um problema.

agora, precisamos pensar com a cabeça do Joyce: ora, se a história se passa numa maternidade, com alguém nascendo, é óbvio que a linguagem tem de acompanhar. se algo nasce, a língua nasce também diante do leitor, mostrarei as raízes da lingua inglesa e parodiarei escritores importantes para o estabelecimento do idioma. é óbvio.

para os interessados em conhecer cada um dos textos parodiados, recomendo esse link aqui. e este ótimo resumo aqui também, ó.

nesse capítulo, o tradutor tem de sapatear. o Caetano Galindo optou por procurar correspondências de textos formadores do português para parodiá-los, o que me parece uma solução mui sensata. esse, sme dúvida, é o capítulo mais pra nerd de literatura do livro.

porém, marca outro fator importante pra prosa de ficção do século XX e XXI: a paródia e o pastiche.

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segunda-feira, julho 30, 2012

Leiturosseia do Ulysses - Capítulo Doze - Ciclope

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[Imagem de David Byers Brown para o Canto IX da Odisseia, com o ciclope enchendo o caverão de vinho]

a história se passa num boteco, onde o Bloom vai para esperar a chegada de Cunningham. enquanto espera, é maltratado por algumas outras pessoas e principalmente por um personagem chamado Cidadão. e seu cão babento, claro.

gosto muitíssimo deste capítulo. o narrador é um personagem não identificado, que também está nessa mesa com o cidadão. aflora o preconceito contra estrangeiros e judeus conforme as bebidas são entornadas.

o Cidadão representa o ser preconceituoso, reacionário, militarista e nacionalista. ele mantém a postura de que está sempre certo, e tem uma visão limitada, que não admite questionamento. ele é o ciclope do episódio homérico.

como os ciclopes tinham um olho só, não tinham perspectiva. assim como o Cidadão que não enxerga nada em perspectiva.

na Odisseia, Ulisses e sua tripulação são aprisionados por um ciclope, Polifemo, que pretende os devorar um a um. o monstro sai durante o dia para pastorear suas ovelhas e coloca uma enorme pedra na entrada da caverna que impede a saída dos marinheiros.

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[adaptação xuxu em HQ da Odisseia, por George Pichard]

Ulisses, matreiro que só, arma um jeito de escaparem: embebeda o ciclope e afia um tronco de árvore que ele usa para furar o olho do monstrengo. depois, amarram-se junto às ovelhas para poderem fugir da caverna, já que Polifemo sentia pelo tato o que estava passando e permitia a saída das ovelhas.

no final ainda, Ulisses diz que o nome dele é Ninguém e dá uma trollada de linguagem no ciclope, que pede ajuda aos outros ciclopes, e explica que ninguém o deixou cego. no final, todo mundo foge e Polifemo atira pedras contra os barcos.

no Ulysses do Joyce, o combate acontece ideologicamente (embora o Cidadão atire uma lata em que o cachorro nojetão dele come contra o Bloom no final do capítulo). eles sentam lá, discutem, Cunningham chega, Leopold vai embora, e mói o Cidadão com respostas inteligentes sobre o sionismo.

quando ao modelo da narrativa, me dá até comichão na barriga de comentar: chamado de gigantismo pelo Joyce, ele usa de paródia de diversos estilos e de vários formatos, tipo cartas e atas, sempre com um discurso que busca engrandecer o ato mais banal, como o Bloom subindo as escadas que tem uma descrição de tom bíblico, lembrando a ascenção de Elias aos céus. aqui tem uma bela anotação sobre esse capítulo.

além disso, quem narra a história, mormente, é aquele personagem desconhecido que não gosta do Bloom, o que gera um ponto de vista muito batuta pra história.

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sexta-feira, julho 13, 2012

Leiturosseia do Ulysses - Capítulo Dez - Rochedos Errantes

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[Mapa de Dublin]

a partir desse capítulo o grau de diversão lielsônica extrapola as escalas. a vontade que tenho é de continuar relendo os mesmos capítulos, mas sempre que me encorajo de seguir adiante, encontro outro capítulo tão divertido quanto o anterior.

temos 19 pequenos trechos da história de cidadãos de Dublin. entre eles os nossos caros Stephen e Leopold, e também Simon dedalus, as irmãs de Stephen, Rojão Boylan, e vários outros. todos eles andam pelas ruas de Dublin e a cada trecho nos oferece um ponto de vista sobre a urbanidade da capital irlandesa.

embora independentes, os trechos reaparecem encaixados nos outros como pequenas informações: descobrimos quem é o homem que perdeu o bonde no primeiro trecho e pra onde ia alguns trechos depois, por exemplo.

uma informação em um site que diz que a primeira parte, a caminhada do padre John Conmee e a última, a carruagem real que atravessa a cidade, são citadas em todos os outros trechos.

somando isso com a frase de Stephen sobre os dois senhores no capítulo 1, a igreja e a monarquia inglesa, temos uma puta ironia sobre os valores que percorrem as ruas de Dublin.

a técncia narrativa aqui chama-se labirinto, e consiste nessa deliciosa multiplicidade pontos de vista quebradas em pequenos trechos, capaz de gerar um quebra-cabeça para aqueles que pretendem encaixar todas as ações na ordem.

o episódio homérico não existe.

é, não tem.

os rochedos errantes era uma opção de navegação. a outra era passar entre Cila e Caríbdis, que foi o que Ulisses fez e é o capítulo nove do livro de Joyce. de acordo com as notas da versão da Alfaguara do Ulisses, o mito dos rochedos errantes é fruto de uma ilusão de óptica, que fazia os marinheiros acharem que as pedras se moviam para afundar os navios.

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quinta-feira, julho 12, 2012

Leiturosseia do Ulysses - Capítulo Nove - Cila e Caríbdis

METABLOGUE ON

como me atrasei nas postagens - minha leitura de hoje encerrou o capítulo 12 do livro - vou fazer uma única postagem por capítulo, sem separar as relações com a Odisseia de Homero. esse procedimento deve continuar até eu chegar em Circe, que é um capítulo gigantesco.

METABLOGUE OFF

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[National Library of Ireland, onde se passa este capítulo]

esse capítulo todo se passa dentro da biblioteca de Dublin. Leopold Bloom vai até lá em busca de uma referência para o anúncio de seu cliente, Shawes, enquanto Stephen Dedalus usa sua metamaticafísica para explicar sua tese sobre o Shakespeare, o fantasma de Hamlet e graus de parentescos dos mais diversos. ou seja, a narração deste capítulo é colada em Stephen - e é muito valiosa a difernça entre os "textos" dele e de Bloom.

toda a conversa entre Dedalus e um bando é sobre Shakespeare, com toneladas de citações. para destravar todos os segredinhos desses intertextos, tem de ser um grande leitor do bardo inglês. há, claro, muitas indicações e intertextos com a literatura em geral.

outra aspecto notável deste capítulo é o uso de figuras de retórica, que invadem o texto inteiro, que teve sua técnica narrativa batizada de dialética por James Joyce. ou seja, há muita tese, antítese e síntese na formação do texto.

interessante notar o preconceito contra judeus - especificamente Bloom - que já transparece nos comentários desse grupo. e não é agora ainda que Dedalus e Bloom se encontrarão.

o paralelo homerico é o seguinte: Circe adverte o Ulisses que ele tem duas opções para sair da ilha, ou enfrentar de um lado os Rochedos errantes, que são basicamente umas pedras que se movem pra lá e pra cá (parece aquelas fases de pulo do Mario Bros.) ou enfrentar Cila e Caríbdis.

Cila é um monstro de seis cabeças que devora humanos e vive nas rochas cercadas de mar. Caríbdis é uma espécie de buraco negro aquático que atraí e naufraga navios com golfadas de água e ondas, mas até onde entendi, também é um ser vivo.

Ulisses opta por passar entre Cila e Caríbdis, mais perto de Cila, pois com o sacrifício de alguns marinheiros eles passariam por ali, diferentemente de um naufrágio que mataria a todos - claro que os marinheiros não são informados de seu papel de patê de monstro marinho.

no paralelo joyciano, Dedalus (e não Bloom) é obrigado a tomar defesas de suas posições, sendo atacado de todos os lados por argumentos contrários e passando entre eles para sair inteiro.

como curiosidade, em inglês, "estar entre Cila e Caríbdis" é o equivalente ao "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come" ou "entre o fogo e a frigideira". mais sobre isso aqui.

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quinta-feira, julho 05, 2012

Leiturosseia do Ulysses - Capítulo Oito - Lestrigões

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eis o momento do almoço. Leopoldo Bloom vai prum forra-bucho depois de ser expulso da redação do jornal. Todo este capítulo é ligado à comida. começa com a descrição de crianças comendo doces, vai pro Bloom que compra um pedaço de bolo pra dar pros pássaros e sai em busca de um lugar pra almoçar. ele vai rodar por Dublin até entrar num pub e ficar enojado com a forma que as pessoas comem e com o cheiro do lugar. pensa sobre o vegetarianismo e resolve comer um lanche mais comedido em outro lugar.

a escolha do lugar leva Bloom a passear por Dublin, levando em conta que precisa passar na biblioteca - que será o cenário do próximo capítulo.

nesse trânsito, Bloom é informado da sra. Purefoy, que está em um parto bastante difícil. ela vai ser visitada por ele no capítulo 14. a técnica narrativa chama-se peristáltica, cujo nome deriva de movimento peristáltico, que é o movimento involuntário, que por exemplo, o esôfago faz para engolir a comida. a ideia é que são movimentos não racionalizados que levam a comida ao seu lugar adequado.

no caso da narrativa, são as ações e as palavras que empurram o personagem e a atenção do leitor em direção do final do capítulo. o capítulo conduz toda a narrativa para o seu final. há váriaspistas dos próximos capítulos espalhadas.

o paralelo homérico daqui é com o episódio do Lestrigões, no canto IX, um povo canibal que devora alguns marinheiros de Ulisses e destrói todos seus navios, menos um, o do valoroso filho de Laertes (o Ulisses). se eles sõa canibais e se portam como selvagens, o capítulo de Joyce é sobre comdia e repugnância.

atenção para indicações olfativas e palatais. depois do lanchinho do senhor Bloom, vamos para a biblioteca.

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terça-feira, junho 26, 2012

Leiturosseia do Ulysses - Éolo

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[página da adaptação para os quadrinhos de A odisseia, de George Pichard]

nesse episódio, que está no Canto X da epopeia de Homero, o Odisseu valoroso (Ulisses, pros íntimos e latinos) conta suas desventuras na corte do rei Alcino.

James Joyce usa o episódio em que Ulisses desembarca na ilha do deus Éolo - sim, aquele que é vento. Lá, o grego chora as azeitonas pro Éolo, que diz que vai ajudá-lo,e dá um saco com todos os ventos, mas Ulisses não deveria abri-lo.

aí Homero faz o que sabe melhor: mostrar a cobiça humana. os marinheiros de Ulisses ficaram putinhos porque ele é quem leva os elogios e os presnetes por onde passa enquanto eles ficam ali criando calo na mão (por causa dos remos). acham por bem, portanto, pegar parte do tesouro para si, e abrem a sacola com os ventos.

uma grande tempestade se forma e o barco é jogado de volta à ilha de Éolo, que dessa vez, expulsa os visitantes, por não terem seguido seu conselho e terem se mostrado amaldiçoado pelos deuses.

em Ulysses, o capítulo está cheio de ventos, ares, brisas e dispositivos que colocam o ar em movimento. e no paraleo mais óbvio, Bloom é expulso pelo editor do jornal quando retorna com uam contraproposta para o anúncio, negando a esse Ulisses também a ajuda.

no próximo capítulo, os Lestrigões. saia daí, mas volte.

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sexta-feira, junho 22, 2012

Leiturosseia do Ulysses - Capítulo Sete

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[Henri Matisse para uma edição ilustrada do Ulysses]

esse capítulo é delicioso e de formato extremamente moderno: fluxo de consciência, diálogos e trechos cortados em pequenos capítulos.

há a agilidade do jornalismo e seus textos curtos - perceba que os pequenos trechos são intitulados com manchetes jornalísticas. o modelo narrativa é da Entimemática. explico

um entinema é um silogismo sem uma das suas partes, por ela ser pressuposta. exemplifico com o mais clássico dos silogismos (é o mesmo exemplo da wikipedia também):

1) Todo homem é mortal;

2) Doutor Sócrates é homem;

3) logo, Doutor Sócrates é mortal.

um entinema seria: Todo homem é mortal, logo, Doutor Sócrates é mortal.

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foi?

observe como isso vai rolar nos diálogos e na narrativa: haverá inbterrupções, causos abandonados, falas cortadas, além de muita correria, típica de uma redação de jornal. muitas figuras de linguagem de retóricxa estão polvilhadas por todas as páginas do capítulo.

Bloom vai até o jornal Freeman para acertar alguns anúncios que vendeu e acertar negócios. enquanto isso, o dono do jornal conversa com algumas pessoas. Stephen chega até lá para trazer a carta que Deasy escreveu lá no capítulo dois - mas Bloom e Stephen não se encontram ainda.

quando estão saindo para almoçar, Bloom volta correndo para falar com o editor e é escorraçado de maneira grosseira por ele, que não aceita a contraproposta de anúncio do Shawes, cliente do nosso protagonista.

gosto muito desse capítulo é de um trecho dele que o editor da tradução mais recente do Ulysses no Brasil, André Conti, escreveu uma coluna pro blog da Cia. das Letras.

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quarta-feira, junho 20, 2012

Leiturosseia do Ulysses - Hades

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[Imagem de David Byers Brown para o Canto XI da Odisseia, com Ulisses contando sua história para o rei Alcino]

esta é a primeira vez no livro que Joyce vai deslocar uma cena da Odisseia da sequência de eventos criada por Homero. antes de chegar ao Hades, no canto XI, Ulisses se encontrar com Éolo, com os Letrigões, com o Ciclope e com Circe, cenas que no Ulysses são posteriores.

Ulisses, aconselhado por Circe, vai até o Hades, que é a morada dos mortos, para conversar com o sábio Tirésias e descobrir um jeito de voltar pra casa mais susse, pois desde daquela época os portos já estavam virando rodoviárias (#Cidadãogregosofre) e aproveita pra colocar a conversa em dia com várias parças que caíram na guerra de Troia, tipo o Agamenon e Aquiles (aquele do calcanhar).

para conversar com os mortos há todo um ritual com sacrifícios animais. somente a alma que beber o sangue sacrificial recuperará a memória  e o dom da fala e poderá trocar uma ideia com o autor do sacrifício. em Ulysses, Bloom acompanha todo o cerimonial de enterro e ao contrário de Ulisses que é sempre ouvido por suas "palavras aladas", Bloom é grosseiramente cortado diversas vezes por diversas pessoas diferentes.

no livro do Joyce, Bloom e aqueles que o acompanham falam com de mortos e lembram deles o tempo todo. uma relação bacana é que o defunto Paddy Dignam morreu do coração de tanto beber e na Odisseia um dos companheiros do Ulisses morreu na casa de Circe porque tava travado de vinho e caiu do telhado. ou seja, o álcool abotoou o paletó dos dois.

muitas histórias de afogamento e de se molhar ou nadar e cair na água, não só neste capítulo, mas em todo o livro, fazem paralelo com os marinheiros de Ulisses que naufragaram ou morreram no mar.

Bloom também conta os presentes no enterro e são 12 e mais ele, assim como Alcino tinha 12 reis e mais ele a receber Ulisses. sem falar no óbvio 13, número místico até o radical.

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sábado, junho 16, 2012

Bloomsday

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é em 16 de junho que começa a jornada de Leopold Bloom e Stephen Joyce dentro do livro Ulysses.

os nerds joyceanos comemoram essa data, normalmente enchendo a cara e gritando seus trechos favoritos do Ulysses.

a gente dá feliz bloomsday pras pessoas?

"Shut your eyes and see."

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sexta-feira, junho 15, 2012

Leiturosseia do Ulysses - Capítulo Seis

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[Kirsty White em desenho para uma edição da Penguin do Ulysses]

finalmente, Leopold Bloom vai para o velório de Paddy Dignam. o capítulo começa com Bloom sendo convidado a ir na mesma carruagem que Simon Dedalus (pai de Stephen), Martin Cunningham e Jack Power.

enquanto o carro passeia por Dublin em direção ao cemitério, os personagens conversam e contam causos, como o o menino que caiu no rio Liffey e foi resgatado pelo cós da calça com um gancho ou do defunto que rolou para fora do caixão numa curva mal-executada pelo cocheiro. Simon não vê seu filho Stephen, embora ele tenha sido avistado de passagem pelos demais passageiros.

por todo o capítulo os mortos serão lembrados e como é habitual na Irlanda, no Brasil ou onde quer que se junte mais de 3 a gracejar, surgem os comentários preconceituosos. no caso, contra estrangeiros, judeus e suicidas. o pai do Bloom é um estrangeiro, judeu e suicida, tornando o nosso caro Leopold vítima dessa porra toda.

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o modelo narrativo aqui foi chamado de incubismo por Joyce. uns teóricos doidões atribuem isso ao demônio sexual masculino íncubo, que estaria como que possuindo o capítulo e sugando-lhe a energia.

eu, irresponsavelmente imodesto, não vejo bem isso. acho que o incubismo pode ser de incubado, como se o narrador estivesse dentro dos personagens, particularmente, Bloom. seria um narrador-pomba-gira que baixa no personagem.

evidências que enxergo pra isso: aqui a técnica de o narrador usar o léxico do personagem é mais exemplar que qualquer capítulo anterior. a descrição feita da missa e seus rituais é cheia de termos coringas, de quem não conhece o ritual católico, tipo um judeu feito o Poldy. os pensamentos de Bloom - sobretudo sobre morte e mortos, claro -- mas também da trepada dele e da Molly que resultou no filho já morto, Rudy -- - entram no meio da descrição das ações o tempo todo (sob esse aspecto uma versão reduzida do terceiro capítulo).

no final, Bloom dá um aviso pra John Henry Menton com quem ele quebrou o pau jogando bocha uma vez, que o seu chapéu está torto, deixando-o "sem saber onde enfiar a cara" (MÃE, Minha). esse senhor Bloom é demais.

ah, e apesar de estar em comic sans, www.iwate-pu.ac.jp/~acro-ito/Joycean_Essays/U06_insurrection&life.html" target="_blank">aqui está um puta artigo sobre este capítulo. "Obrigado. Como estamos magnânimos hoje."

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quarta-feira, junho 13, 2012

Leiturosseia do Ulysses - Capítulo Cinco

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[Imagem de David Byers Brown para o Canto IX da Odisseia, com Ulisses contando sua história para o rei Alcino]

nesse quinto capítulo, nosso querido amigo Leopold Bloom vai andar um pouco por Dublin enquanto espero o horário do enterro de Paddy Dignam. evidencia-se aqui que ao contrário do Ulisses da Odisseia, quem tem tido casos fora do casamento é Molly. ou melhor, casos carnais, porque leopold Bloom mantém uma caso via carta com uma mulher sob o pseudônimo de Henry Flower.

e também recebeu da sua palavramante uma flor seca no envelope.

esse é um capítulo muito bem amarrado ao episódio homérico e, diferentemente de antes, vou colocar todas as minhas observações nessa mesma postagem e partimos em um dia próximo para o capítulo 6.

o episódio de referência é o dos lotófagos, ou dos comedores de lótus (permaneça perceptivo para flores nesse capítulo), que é um trecho dos mais miúdos na Odisseia (capítulo IX, versos 61 a 78). e esse capítulo é bastante exemplar do tipo de relação que Joyce constrói entre o seu livro e a epopeia homérica.

explico:

na Odisseia, os lotófagos passam o dia inteiro comendo flor de lótus e fazem porra nenhuma - tipo quase todos nós na internet - e alguns homens que o Ulisses mandou lá ver qualé entraram nessa pira (literal-metaforicamente) e foram arrastados por seu valoroso capitão de volta ao mar.

no livro do Joyce não vai ter ninguém chapado ou comendo flor, mas o capítulo todo estará obnublado, como se o narrador tivesse meio anuviado. o estilo narrativo que Joyce chamou de narcisismo tem tudo a ver com o ficar dentro de si e não agir muito bem no mundo exterior, até que a água te afunde na realidade.

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todo o capítulo é preguiçoso, segue um "dolce far niente" e termina com o Bloom tomando um banho. todos os aromas e sabores são valorizados aqui, como se os sentidos de Bloom fossem muito mais aguçados.

ele encomeda um perfume de flor de laranjeira para Molly (esse cheiro é associado a ela durante todo o livro) e compra um sabonete com odor de limão. a última cena desse capítulo é Bloom flutuando na banheira e seu pau sendo comparado a uma flor.

(uma avaliação pelo viés do grotesto e do baixio corporal rende horrores nesse livro)

Bloom anda pela cidade, vê vitrines de chá, encontra McCoy, que faz Bloom lembrar do golpe da mala - que se não me engano, rolou num conto do Dublinenses - apanha a carta da Martha, a amante datilográfica, se livra do envelope, resolve encomendar o perfume de flor de laranjeira e comprar um sabonete para o banho, e antes de se lavar, cruza com Garnizé Lyons que lhe pede o jornal emprestado, age d emodo estranho e sai correndo. Bloom entra no banho e é isso.

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segunda-feira, junho 11, 2012

SLLT « Blog da Companhia das Letras

Por André Conti


A geladeira de James Joyce: 1. Ligar para o banco; 2. Lavanderia; 3. Forjar na forja da minha alma a consciência incriada da minha raça; 4. Ligar para a mamãe

Ainda estou me acostumando com a ideia de que o Ulysses finalmente saiu. Pelo que andei conversando com o Galindo, tradutor do bicho, ele também estranhou. Só posso imaginar. Os anos de discussão, ansiedade e trabalho que passamos em cima do livro representam uma fração dos anos de discussão, ansiedade e trabalho que o Galindo passou desde o início da empreitada, mais de uma década atrás.

Agora, nosso filho criado no porão e alimentado por debaixo da porta resolveu que é gente. Fica de pé sozinho. Não precisa mais de nós.

No sétimo episódio de Ulysses, o sr. Bloom visita a sede do Freeman’s Journal, onde tenta negociar um anúncio. Num determinado momento, ele para diante das máquinas de impressão do jornal:

“Sllt. O cilindro inferior da primeira das máquinas projetou sua bandeja com sllt a primeira fornada de mãos de jornais dobradas. Sllt. Quase humano o jeito que ela fica slltando pra chamar atenção. Fazendo o melhor que pode pra falar. Aquela porta também estava slltando quando rangia, pedindo pra ser fechada. Tudo fala à sua maneira. Sllta.”

É uma das minhas passagens favoritas no livro. É também um dos grandes exemplos da capacidade infinita do sr. Bloom de humanizar as coisas. Máquinas, objetos, pessoas, animais: em Ulysses, tudo fala à sua maneira. Agora esse Ulysses, que foi só do Galindo, depois da Sandra e da Beatriz, aí de alunos e amigos, e então do Paulo Henriques e um tiquinho assim meu, pode falar à sua maneira.

Digo um tiquinho sem sombra de falsa modéstia. O texto final que recebi, fechado pelo Galindo e o Paulo Henriques, havia sido pensado à exaustão. Meus pitacos frequentemente esbarravam na lógica interna do romance, onde uma determinada escolha vinha precedida e sucedida de justificativas no próprio texto. De modo que aprendi um bocado sobre Ulysses tendo minhas sugestões recusadas. Aprendi também um bocado sobre tradução, edição, livros em geral.

O que não quer dizer que algo da minha experiência com o livro não esteja ali, ainda que esse algo seja muito específico. Um dos temas centrais do Ulysses, afinal, é a amizade. E essa tradução nasceu em torno de uma série de amizades. Li o romance pela primeira vez com um amigo, o Alê, em voz alta e todas as quintas. O texto final também foi resolvido por dois amigos, o Paulo e o Galindo. E o Galindo e eu falávamos do livro muito antes de o projeto de edição da Cia. existir.

Um pouco dessa dimensão afetiva não deixaria de transparecer num romance tão preocupado em esmiuçar as muitas maneiras em que as pessoas se ligam umas às outras. Se discutimos o livro constantemente, também jogamos semanas de conversa fora, passeamos de carro por Curitiba, o Galindo tocou “Here comes the sun” no uquelele, a gente foi até Morretes por uma serra toda ensolarada, de estrada de pedra, onde comemos barreado e visitamos uma criação de tartarugas. Um dos méritos do Ulysses é registrar a vida miúda, o pedaço de conversa da mesa ao lado, um instantâneo absolutamente específico que, apoiado no domínio técnico do Joyce sobre a língua, se vale desse humanismo compassivo do autor para expandir a miudeza e a especificidade no que há de mais universal em todos nós. Espero que um pouco da nossa própria miudeza tenha encontrado lugar na tradução.

E agora, como diz o próprio Galindo na apresentação, esse Ulysses é teu. Há literalmente centenas de caminhos a serem tomados — tente seguir a trajetória da batata no bolso de trás do Bloom, por exemplo —, todos irremediavelmente pessoais. Claro que o mesmo pode ser dito de qualquer livro, em graus variados. E todo mundo tem um romance que parece ter sido feito na medida para si, em forma ou conteúdo. Mas, na megalomania do autor (“Hoje sou capaz de fazer o que quiser com a língua inglesa”), Ulysses parece alcançar uma medida mais ampla.

Basta pensar na celebração anual em torno do 16 de junho, dia em que se passa o livro. Acho revelador que, em meio a tantas obras tão ou mais célebres, apenas Ulysses tenha o seu dia. Posso imaginar a festa anual do Hamlet, com um monte de gente sorumbática, vestida de preto, falando mal do tio. Ou da Madame Bovary, com leitura de bestsellers seguida de adultério extremo e insatisfação geral. Ao nivelar a experiência por cima, exigindo atenção e paciência de seus leitores, Joyce possibilitou a qualquer um deles uma entrada igual — democrática — no livro. Por isso a festa. Por isso o carisma da obra.

Que o romance seguinte de Joyce, Finnegans Wake, tenha aparentemente realizado a operação contrária, alienando até defensores ferrenhos do Ulysses, fica para uma próxima tradução do Galindo, quem sabe daqui a dez anos.

Mas não custa deixar um teaser

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André Conti é editor da Companhia das Letras.
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Bloomsday no Brasil:

SÃO PAULO:

  • 15 e 16 de junho: Giacomo Joyce e Ulysses — Uma celebração italiana do Bloomsday
    25ª edição do Bloomsday paulistano, com uma programação especial que incluirá dois dias de atividades.
    Local: Casa Guilherme de Almeida & Finnegan’s Pub
  • 16 de junho, às 16h: Aula aberta com Caetano Galindo
    Caetano Galindo, tradutor da edição de Ulysses lançada pela Penguin-Companhia, dá aula aberta sobre o clássico de James Joyce.
    Local: Loja Companhia das Letras por Livraria Cultura – Av. Paulista, 2073

RIO DE JANEIRO:

  • 17 de junho, às 19h: Palestra com Caetano Galindo
    Caetano Galindo, tradutor da edição de Ulysses lançada pela Penguin-Companhia, dá aula aberta sobre o clássico de James Joyce.
    Local: Livraria da Travessa Leblon – Av. Afrânio de Melo Franco, 290

BELO HORIZONTE:

  • 16 de junho, das 15h às 18h: veja a programação
    Local: Memorial Minas Gerais – Praça da Liberdade, s/n

SANTA MARIA:

[Se alguém souber de outras comemorações do Bloomsday no Brasil, por favor, nos avise e adicionaremos aqui!]

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A opinião do editor da versão mais recente do Ulysses pro português.

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quinta-feira, junho 07, 2012

Leiturosseia do Ulysses - Capítulo Quatro - um adendo

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encontrei uma análise em inglês que lista umas coincidências entre o primeiro e o quarto capítulo do Ulysses que eu deixei passar: Dedalus e Bloom veem o sol ser encoberto por uma nuvem, ambos saem de casa sem a chave e outros penduricalhos.

tá aqui, ó: [Spark Notes]

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quarta-feira, junho 06, 2012

Leiturosseia do Ulysses - Capítulo Quatro - Calipso

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[Imagem de David Byers Brown para o Canto V da Odisseia]

do mesmo modo que a Odisseia começa a narrar as aventuras de Ulisses e deixa Telêmaco um pouco de lado, aqui o Ulysses joyciano recomeça e passa a companhar a Leopold Bloom, o Ulisses irlandês.

ao contrário do herói grego, Bloom não é nada heróico, guerreiro ou distinto em relação aos demais. ele é um homem comum e pacífico. na episódio homérico, Calipso (a ninfa, não a bolacha) recebe o mensageiro dos deuses que lhe manda deixar Ulisses ir embora (ela mantém Ulisses prisioneiro como seu amante desde o fim da guerra de Troia).

por sua vez, Bloom recebe cartas e serve, como Ulisses, a sua ninfa/esposa na cama, Molly Bloom (no último capítulo, Molly será Penélope - ou seja os papéis não são únicos ou fixos). há um quadro de ninfas sobre a cama.

assim como Calipso (a ninfa, não a banda), Molly é uma figura sensual e bastante sexual, que permanece nesse capítulo todo an sua cama, recebe o café da manhã e a carta de um homem - que Bloom desconfia que seja o amante dela.

em Homero, Calipso deixa Ulisses partir para que volte pra casa e pare de chorar na praia, dá pra ele comida e condições para que parta. porém, Poseidon fica fulo com a liberação de Ulisses por parte dos deuses olímpicos (eles tretaram nas costas do deus dos mares) e arrebenta a jangada que Ulisses usava pra voltar pra casa e ele chega em terra firme, mas ainda não é Ítaca.

enquanto isso Bloom come e vai ao banheiro, para sair de casa e viver sua odisseia de algumas horas, bem menos que os 20 anos de Ulisses.

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