terça-feira, janeiro 11, 2011

Da folha de S. Paulo - Meias

Brilhante texto de Mario Prata, para caderno Cotidiano da Folha.

Meias 

 


A gente acha que difícil são as grandes decisões. Às vezes, são as pequenas escolhas que dilaceram o coração 


A GENTE SEMPRE acha que a mudança virá de grandes resoluções: parar de fumar, pedir demissão, declarar-se à Regininha do RH. Às vezes, contudo, são as pequenas atitudes que alteram definitivamente a rota de nossas vidas. Nessa segunda-feira, por exemplo, pela primeira vez em 33 anos, saí para comprar meias. Sou um novo homem.
Talvez o leitor ache que estou exagerando. É que não teve o desprazer de conhecer minha gaveta de meias até 48 horas atrás. Mais parecia "saloon" de velho oeste: poucos pares, estropiados, cada um vindo de um canto -tenazes sobreviventes de diferentes etapas da minha vida.
As três brancas, de algodão, haviam sido ganhas na compra de um tênis de corrida, lá por 98. A marca da loja já quase não se lia, escrita no elástico esgarçado. Pior que as brancas estavam as azuis, da Varig, do tempo em que a ponte aérea era feita pelos Electras, e as aeromoças davam brindes, não broncas.
O pé da meia azul não tinha curva no calcanhar nem na canela: assemelhava-se a um coador de café dos Smurfs. Ou dos Na'vi. O elástico era frouxo, mas o laço afetivo não, de modo que as seguia usando, ano após ano, mesmo diante dos encarecidos apelos de minha mulher.
Em bom estado mesmo só as cinza, com losangos, que peguei para completar o valor na troca de uma jaqueta, presente de natal em, sei lá, 2002. Era a minha "meia de sábado", aquela que vestia para jantares, casamentos e entrevistas de emprego. Além dessas, havia mais três ou quatro, que de tão ordinárias nem merecem meu comentário.
Ah, caro leitor, eu era infeliz e não sabia! Uma vida com poucas meias é uma vida de expectativa e ansiedade. Toda manhã aquele suspense ao abrir a gaveta: quais estariam ali, quais andariam na longa peregrinação que passa pelo cesto, pela máquina, pelo varal?
Cheguei ao fundo do poço na sexta, 31, dez da noite. Minha mulher batia na porta do banheiro, apressando-me para a ceia, enquanto eu, sentado no chão de azulejos, encaixava as meias cinza na boca do secador de cabelos. Não queria virar o ano com os pés úmidos nem gostaria que todos me vissem, quando tirasse os sapatos para pular sete ondinhas, com as velhas meias da Varig.
Naquele momento de angústia, por trás do ruído aeronáutico do secador, dos meus gritos e dos gritos de minha mulher, pude ouvir uma voz grave, que vinha de toda parte e de parte alguma: "Antonio: tu és homem feito. Pagas as contas e impostos em dia. És casado, asseado, vacinado: por que vives nesta penúria?"
Se eu soubesse como era fácil, tinha feito antes: nem cem reais, caro leitor, custou minha alforria. Hoje, se quiser, posso ir a três entrevistas de emprego, dois jantares, seis casamentos e jogar futebol, no mesmo dia, sem repetir as meias. Não terei mais que pensar no assunto até 2019, no mínimo.
Quer dizer, mais ou menos: pois enquanto contemplo a gaveta multicolorida -de "saloon" do velho oeste, transformou-se em baile da corte- minha mulher aparece no quarto, segurando as meias da Varig com as pontas dos dedos, como se fossem camisinhas usadas: "Posso jogar no lixo?"
A gente sempre acha que difícil é tomar as grandes decisões: parar de fumar, pedir demissão, declarar-se à Regininha do RH. Às vezes, contudo, são as pequenas escolhas que mais dilaceram o coração.

ANTONIO PRATA 


antonioprata@uol.com.br

@antonioprata

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segunda-feira, janeiro 10, 2011

1, 2, 3, vai!

tenho pensando em começar a correr. não metaforicamente, fisicamente. mas tem a ver.

só dou um tempo antes de começar, pra que não pareça resolução de ano novo, que já vem com etiqueta frustração (variações de Taiwan tem desistência).

comecei a procurar por isso, e descobri um mundo ao redor dos meus pés (o umbigo do falsa humildade?).

os pés não se dividem em direitos e esquerdos, da maneira que os não corredores pensam. existem trocentas classificações e até testes pra você saber qual é o tipo de tênis adequado pra você.

tenho tido dificuldade de encontrar um modelo que decente - todos os tênis de corrida que encontrei são combinações em variadas porcentagens de molonas, gel, cores berrantes e glitter.

quem diga que isso é por causa dos meus 30 anos (quase 31). eu prefiro acreditar que é para evitar um futuro que se agarra ao batente da porta pra sair de casa. mas a verdade, provavelmente, é outra.

tem algo de por as pernas em ação pra ver a vida andar, em vez de correr. eu corro, e você espera um pouco. tem a ver com segurar a corrida do relógio baudelairiano enquanto acelero as canelas. tem a ver com a metáfora. tem a ver com a prática.

 

ah, assim que encontrar um tênis decente, eu aviso.

 

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sexta-feira, janeiro 07, 2011

Regimes

Queria poder pensar em regime e lembrar de dietas. Mas no caso dos regimes totalitários e ditatoriais, a perda de peso é do inimigo do estado.

E o efeito sanfona aparece nas declarações. Caso do General José Elito Siqueira, para quem o regime é algo histórico e que passou.

Não nos envergonhemos das barrigas adquiridas e não nos ocupemos das medidas de pessoas desaparecidas. É o que é. Fala digna de um Alberto Caieiro de estrelas no ombro e quepe na cabeça.

Esse fatalismo sobre os acontecidos é digno de uma tragédia grega. Ao herói, seu destino e paciência. Assistamos. mas no caso dos desaparecidos, não há muito espaço pra catarse.

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quinta-feira, janeiro 06, 2011

Terceira parte da lista

2010 acabou, mas a lista de sugestões de quadrinhos do tio Lielson continua. Aqui está a primeira parte da lista e as regras que norteiam a escolha dos títulos. Sem enrolação vamos lá:

Xampu – Lovely Losers (Devir)

Roger Cruz ainda é mais conhecida pelo seu trabalho pra Marvel nos anos 1990. Ainda que o reconhecimento seja maior, não é dessa época o parâmetro de seu trabalho em Xampu. Nada de super-heróis aqui ou aquele traço que usou na época. É a história de jovens paulistanos nos anos 1980, mas sem os topetinhos ou músicas sintéticas. Os personagens vivem em um ambiente de rock farofa. E a força do álbum surge no encontro gradual das histórias. Sem falar que arte de Cruz está muito bonita e sua narrativa é excelente. Recomendado. Leia a resenha.

Indicado com força pra quem: curte histórias autobiográficas, quem curte os arredores do cenário musical, quem curte os anos 80

 

Jimmy Corrigan – O garoto mais esperto do mundo (Quadrinhos na Cia)

Muita gente diz que esse álbum é o Ulisses (James Joyce) das HQs. Fora o exagero, há alguns motivos. Chris Ware levou a narrativa, composição de página e quadros a um nível poucas vezes experimentado nos quadrinhos. E tudo ao memso tempo! Uma leitura lenta e pesada, com uma história de rasgar os olhos de chorar. O (des)encontro de um filho, Jimmy, com seu pai, que o abandonou. Aí que está a diferença com o romance de Joyce: mesmo com todo o marabalismo verbal, Ulisses é livro com humor e mais leve. Mas vale a leitura. Olha a resenha.

Indicado com força para quem: curte experimentações de linguagem, quem curte histórias de pais e filhos, designers.


Malvados (Desiderata)

André Dahmer tem um trabalho irônico, ácido e mal-humorado. E sensacional. Teve repercussão a partir da internet e hoje é um dos melhores humoristas nacionais. Em vez de me ler, leiam o Dahmer direto na fonte.

Indicado com força pra quem: curte um mal-humor engraçado, tem vergonha do ser humano, curte tiras em quadrinhos.

 


 E a lista continua em outra postagem...

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quarta-feira, janeiro 05, 2011

Satori em Francisco Beltrão

eu não estava em Francisco Beltrão. eu estava no ônibus, e em vez de acompanhar o movimento do asfalto que voltava pra Curitiba, fui com Jack Kerouac, me deixando levar até a minha cidade natal. em vez de memórias, o que poderia ser uma boa peça litetrária ainda que clichê, fui atrás de saudades e convivências. fui a Beltrão dizer as meus pais que estava tudo certo, fui mostrar a eles que ainda sou seu filho e confirmar que tudo anda bem.

mas o final do livro de Kerouac chegou a mim antes de que eu chegasse a algum lugar. É uma história escrita daquele jeito já conhecido, em um ritmo alucinado. o personagem do livro leva o nome do autor e Kerouac afirma que a história aconteceu quando ele buscava informações sobre a sua família. dessa história totalmente pessoal sai um relato pormenorizado de vários dias que levaram o prosador beatnik a ter seu satori.

 satori é um conceito budista, um momento de iluminação. em um instante, zás, tudo passa ser visto de outro modo, os olhos se limpam e enxergam um mundo novo. eu me interessei por ter um forte flerte com o budismo, pra decepção dos meus amigos ateus. espero que aceitem isso, e cedam a outra face diante de tamanha blasfêmia.

Blasfemo eu induzindo você com um título a acreditar que encontrei meu satori. meus olhos ainda sujos viram o final do livro, minahs mãos imutadas voltaram páginas pra que eu relesse frases, minha razão apegada a entender onde estava o satori, se a iluminação estava entre linhas, se a clareza estava entre caracteres. não, não adianta. o momento passou e foi de outro. a mim restou a boa leitura de Satori em Paris.

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terça-feira, janeiro 04, 2011

Da folha de S. Paulo - A ciência da procrastinação

Excelente coluna no caderno Ilustrada de hoje, na Folha de S. Paulo:

JOÃO PEREIRA COUTINHO 

A ciência da procrastinação 


Em janeiro, as promessas para 2011 jazem com 2010. O peso não baixa. O cigarro é ainda a chupeta predileta

O ANO começa e os enganos começam também. Quando o relógio marca a virada, o digníssimo leitor vai elaborando, material ou mentalmente, as grandes decisões para 2011. Perder peso. Deixar de fumar. Trabalhar melhor. Amar melhor. Fazer aquela viagem. Se possível, deixar de roer as unhas.


Em finais de janeiro, as promessas para 2011 jazem com 2010. O peso não baixa. Aumenta. Os cigarros continuam a ser a chupeta predileta. O trabalho continua entediante, massacrante. A relação, definitivamente, não dá. A viagem -enfim, será possível viajar numa altura dessas?

O estresse é tal que já não existem unhas para roer; nem sabugo; às vezes, nem dedos.

Sei do que falo. Também eu sou dado ao delírio. Consulto os meus diários passados e constato, sem surpresa, que jamais cumpri uma única promessa das mil que faço anualmente.

Durante anos, como Samuel Pepys (1633-1703), também nos diários, usava um chicote mental de culpa e frustração para fustigar a minha consciência.

Descubro agora, via "The New Yorker", que o meu problema -melhor: o nosso problema, irmão leitor, é um dos grandes desafios filosóficos do tempo moderno.

Chama-se "procrastinação", mas, na verdade, é maleita que já existe desde os gregos.

Nossos antepassados até tinham um termo mais rigoroso para ela: "akrasia". Significa tomar uma decisão que é racionalmente contrária aos nossos interesses. Ou, no caso em apreço, não tomar decisão nenhuma. Adiar. Mascarar. Preguiçar. E desistir.

Segundo James Surowiecki, autor do artigo, o número de pessoas que admite problemas de procrastinação não para de aumentar em todos os estudos feitos sobre a matéria.

Um dos últimos, intitulado "The Thief of Time" (Oxford, 320 págs.) e analisado com detalhe por Surowiecki, dá apenas um exemplo entre mil: 70% dos pacientes com glaucoma arriscam a cegueira porque não usam as suas gotas regularmente. Deixam ficar para amanhã. Ou para depois de amanhã. Ou para depois de depois de amanhã.

Exatamente como nós: perder peso é um objetivo nobre. Para começar amanhã. Ou depois de amanhã. Ou depois de depois de amanhã. E eis que chega 2012.

Como explicar o fenômeno? Mentes pessimistas diriam: porque somos intrinsecamente preguiçosos.

Outras, mais otimistas, dirão que a preguiça nasce da ignorância: se os homens sabem o que é melhor para eles, agirão em conformidade para seu próprio bem.

A tradição intelectual do Ocidente assenta nessa fé: sabedoria é virtude, já dizia Platão.

Infelizmente, a procrastinação arrasa com tais certezas. E, contrariamente ao que imaginam otimistas e pessimistas, é traço humano e bem racional da nossa condição.

Afirma Surowiecki que todos os nossos planos assentam numa falácia simples: a ideia de que somos, como humanos, consistentes ao longo do tempo.

Mas não somos. A nossa consistência é testada, todos os dias, por fatores que não controlamos e que subvertem a beleza imaculada de nossas aspirações. Uma súbita promoção. Um súbito despedimento. Novos amores. Novos desamores. Alegrias imprevistas. Tristezas imprevistas. Como diria o sábio Nelson, a vida como ela é.

E, na vida como ela é, não dependemos apenas de fatores contingentes. Nós próprios estamos perpetuamente divididos entre o curto prazo e o longo prazo, avisa Surowiecki.

Uma batalha espiritual onde o diabrete do imediato vence o anjo mais distante. Repito: perder peso é uma aspiração nobre. Mas só depois de mais uma fatia de doce.

Conta o autor, em pormenor divino, que o escritor Victor Hugo (1802-1885) tinha por hábito escrever despido, pedindo ao criado que escondesse as suas roupas.

Era a única forma de ele ficar sentado à mesa, a trabalhar, sem ceder à tentação da vadiagem pelas ruas de Paris. Como eu o entendo.
Começa 2011. E nós começamos a construir planos para uma vida mais rigorosa, e saudável, e equilibrada.

Não funcionará. A vida não é assim. Nós não somos assim.

E se existe alguma certeza na "ciência da procrastinação" é esta: objetivos vagos e distantes começam a recuar perante necessidades mais imediatas, mais prementes. Mais presentes.

Ou, inversamente, nossos planos devem ser diários; humildes; transitórios; e sempre frágeis.

Rasgo todas as listas que preparei para 2011. Sem sentimento de culpa. O que será, será. Mas uma coisa prometo: amanhã mesmo,começarei a escrever despido.


jpcoutinho@folha.com.br

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segunda-feira, janeiro 03, 2011

A érotica vida de Serge Gainsbourg

confesso. pra mim, o Serge Gainsbourg era um cantor francês, pai da Charlotte.

depois descobri que aquela música que eu gostava do Luna, era dele.

a versão original, inclui gemidos manhosos da moça aí:

por causa disso, descobri que o Gainsbourg pegou a Bridget Bardot. mas olha bem pra ele:

isso não o impediu de acumular um estenso portfólio de pegas parcerias musicais por toda sua vida.

tudo isso já o torna uma figura interessante. somou-se o fato de a direção e o roteiro do filme ser de Joann Sfar (um quadrinhista) e a Vanessa insistir, e voilà: assitimos a Gainsbourg - Vida heróica. vai o trailer americano meiaboca:

Aqui o bem mais interessante bande anounce francês (contém gostosas, por isso é restrito no YouTube):

e um aperitivo do filme.

Gainsbourg consegue ir além das tradicionais cinebiografias. soluções geniais, saltos cronológicos e, segundo o diretor da bagaça, Sfar, o filme se baseia não na vida, mas nas histórias e na fantasia criada ao redor do mito Serge Gainsbourg.

fica aí a primeira sugestão cinematográfica do ano.

PP (post postagium): vai um trailer da música Comic Strip, parceria do pegador feioso e da Bridget Bardot.


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sexta-feira, dezembro 31, 2010

Fechando o mês

Todo mês, no último dia, entra no blogue do Universo HQ a lista de melhores e piores quadrinhos que cada um de nós leu.

Cada um tem seu critério, mas eu listo 4 ou 5 bons e escolho pelo menos 1 entre as leituras pra ser o pior.

Isso pode levar a existir um pior do mês que é até meio bom. mas não é o caso deste mês. Olha a lista aqui.

E aqui vai a lista do que tudo que eu li de HQ em dezembro:

Red - aposentados e perigosos

Trama de ação funcional e ligeira, muito ligeira. as cenas de ação são muito bem feitas.

Fábulas 6 - Terras Natais

Aventura, inimigos poderosos e itens mágicos. Veja a resenha que fiz de uma das melhores séries publicadas no Brasil atualmente.

Vingadores 82

Essa revista continua Ok. Capitas meio preguiçoso e Vingadores interessante. eis a resenha.

DC: A nova fronteira

Ah, se as histórias de super-heróis fossem tão bacanas quanto estas.

100 Balas - Contrabandolero!

Ótima série policial, com execelentes saídas de roteiro e aula de narrativa visual.

Preacher - Salvação

Diálogos fodas, cenas fodas, trama foda. Sou entusiasta dessa série.

Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo

O trabalho independente de Pedro Franz é batutíssimo. Conheça ele aqui e leia a resenha aqui.

J. Kendall - Aventuras de uma criminóloga 72

A melhor revista de banca do Brasil. Lições valiosos de narrativa a cada edição. Resenha.

Vertigo 11 e 12

A segunda melhor revista de banca do Brasil. Resenhas aqui e aqui.

http://www.paninicomics.com.br/image/image_gallery?img_id=3616324&t=1290430344570

Loveless - Terra sem lei - Mais denso que sangue

Western + ultraviolência + bons roteiros = Loveless. olha a resenha.

Peixe peludo

Um fluxo de consciência de um peixe trompetista caminhando pelas ruas de São Paulo. Vale a leitura.

Hellblazer - Cinzas e pó na cidade dos anjos

Final das andanças de John Constantine pelos EUA. Resenha por mês que vêm!

Mágico Vento 15

Um épico de western com sobrenatural. dê uma chance e quando ver já estará comprando todo mês.

Bando de dois

História de dois cangaceiros em busca de vingança. trocentas referências visuais a filmes de western.

Cicatrizes

Leia um dos 3 melhores quadrinhos do ano. simples assim.

We 3

3 animais transformados em robôs. O que soa como imbecil, é um espetáculo de cenas de ação, com bom roteiro.

Wolverine 72

Horrenda. Se eu tiver estômago pra isso, resenharei.

Nós

O melhor trabalho do brasileiro Mario Cau até aqui.

Conflito do Vietnã 5 e 12

Triste. Uma série que tenta não ser americanoide, mas não consegue. Tem seus méritos, apesar disso.

Spawn 10

Talvez, o pior trabalho de Frak Miller como roteirista. Tudo no lugar errado. O tempo todo.

OBS - tá tudo certo. a capa é da 11 americana, mas equivale à edição 10 brasileira.

Spawn 36

Roteiro de Alan Moore numa história que tem seu Q de Dr.Caligari.

Os beats

Como uso de linguagem da HQ, fraca. Como informação sobre a geração beat, muito boa.

 

Jonah Hex - Marcado pela Violência e Armas da Vingança

O caubói mais feio das HQs de volta em encadernados. \o/

Authority - Sem perdão

Os dois primeiros arcos do grupo mais fodão de heróis. Testosterona além dos limites aceitáveis.

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quarta-feira, dezembro 15, 2010

Estreia em Curitba

Hoje, o camarada Aristeu Araújo estreia em Curitiba o seu filme que foi selecionado para o festival de Brasília: Naquela noite ele sonhou com o mar azul. Cinemateca, 20 agá. apareeeeeeeeça!

eu li o roteiro antes de filmar e ainda não vi o curta pronto.

 

 

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domingo, dezembro 12, 2010

A lista deve continuar

list Pictures, Images and Photos

Apesar da demora, vai aqui a segunda parte (de muitas outras partes) da lista com indicações de álbuns de histórias em quadrinhos. As três primeiras indicações e as regras de escolha estão na primeira postagem.

Tenho pensado bastante e até dançado o doido pra criar uma lista menos "clichê".

 

Mas já estou achando que tanta insistência ao redor de algumas obras deve ser por culpa da qualidade que as desgraçadas têm. A elas:

 

RETALHOS (Quadrinhos na Cia.)

Craig Thompson criou uma história de um amor adolescente, enquanto o próprio Craig (sim, o Thompson, é autobiográfico) amadurece e desenvolve sua personalidade, colocando novas perspectivas na relação que tem com os pais e com o irmão. Se existe uma palavra pra definir Retalhos é delicadeza. É tudo bonito nesse gibi. É difícil explicar. leia e não discuta, que é mais fácil.

Indicado com força para: quem curte autobiografias de artistas em formação; quem gosta de desenvolvimento da linguagem das HQs; quem acha que o mundo rpecisa cada vez de mais força delicada.

Veja o autor falando abaixo:

BOB & HARV - DOIS ANTI-HERÓIS AMERICANOS (Conrad)

O Bob é Robert Crumb, referência underground obrigatória a quem se interessa pelo... underground. Harv é Harvey Pekar, que trouxe o tema da vida de um americano fudido pras histórias em quadrinhos norte-americanas (no caso, ele mesmo). O nome esquisito do álbum é por conta do filme sobre o Pekar intitulado no Brasil de Um anti-herói americano. Esse álbum coleta todas as histórias escritas por Pekar e desenhadas por Crumb. PRA MIM, um dos maiores crimes das edições nacionais é a ausência de mais material do Pekar no Brasil, já o Crumb teve bastante coisa publicada.

Indicado com força para: quem acha graça no mau humor; quem gosta de histórias alternativas; quem tem certeza que quadrinhos não são coisa de crianças.

Aqui, um pouco de Pekar, quebrando pau com o David Letterman (magine se ele fosse no Jô):

e aqui o Crumb:

PERSÉPOLIS COMPLETO (Quadrinhos na Cia.)

O trabalho que fez o mundo conhecer a iraniana Marjane Satrapi. A quadrinista viveu durante a infância e adolescência a transição de overnos no Irã, mudando radicalmente o cotidiano dos cidadãos. existe dois tipos de publicação desta obra de Satrapi no Brasil, ou quatro volumes ou a edição completa. Uma narrativa pessoal, forte e muito bem estruturada, Persépolis é uma peça de arte com um quinhão de informação pouco conhecida por nós deste lado aqui do planeta. 

Indicado com força para: quem gosta de histórias de superação; quem gosta de narrativas do artista quando jovem; quem quer conhecer um pouco melhor a tradição persa.

O quadrinho virou uma animação muito boa (mas uma coisa não exclui a outra, leia e assista):

A lista segue ainda...

 

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